Questão de Medicina — Dermatologia — CESPE / CEBRASPE 2023
Medicina›Dermatologia
Código
ce156404
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
A manifestação cutânea da doença se caracteriza por úlcera típica geralmente indolor que costuma localizar-se em áreas expostas da pele; tem formato arredondado ou ovalado; mede de alguns milímetros até alguns centímetros; tem base eritematosa, infiltrada e de consistência firme; apresenta bordas bem delimitadas e elevadas com fundo avermelhado e granulações grosseiras. A infecção bacteriana, quando associada, pode causar dor local e produzir exsudato seropurulento que, em determinadas circunstâncias, ao formar crostas, recobre total ou parcialmente o fundo da úlcera. Adicionalmente, a infecção secundária e o uso de produtos tópicos podem causar eczema na pele ao redor da úlcera, modificando seu aspecto (lesão ectimoide).A doença descrita no texto precedente corresponde à
Aleishmaniose tegumentar americana.
Bhanseníase dimorfa (ou borderline).
Chanseníase virchowiana (ou lepromatosa).
Dhanseníase tuberculoide.
Etuberculose cutânea.
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GabaritoA — leishmaniose tegumentar americana.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Leishmaniose tegumentar americana: a úlcera de bordas elevadas
Gabarito: letra A. A descrição clássica — úlcera indolor, de bordas bem delimitadas e elevadas, fundo avermelhado com granulações grosseiras, localizada em áreas expostas — é a úlcera de Bauru, lesão característica da leishmaniose tegumentar americana (LTA). As demais alternativas (hanseníase e tuberculose cutânea) apresentam padrões de lesão distintos, como veremos a seguir.
A leishmaniose tegumentar é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitidos pela picada de flebotomíneos (mosquito-palha). A forma cutânea localizada é a mais comum e se manifesta como uma pápula que evolui para uma úlcera típica. Essa úlcera é o achado semiológico mais importante e é descrita com precisão no enunciado: geralmente indolor, de bordas elevadas e bem delimitadas, com fundo eritematoso e granulações grosseiras (aspecto de "carne viva"). A localização em áreas expostas (face, membros) reflete o local da picada do vetor. A infecção bacteriana secundária pode tornar a lesão dolorosa e produzir exsudato seropurulento, com formação de crostas — o que o texto chama de "lesão ectimoide", por semelhança com o ectima.
O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado por exames como a pesquisa direta do parasita, a intradermorreação de Montenegro e o exame anatomopatológico. O tratamento é feito com antimoniato de meglumina (Glucantime) ou outras drogas de segunda linha, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
A grande pegadinha desta questão é a hanseníase, que também pode cursar com lesões de pele. Porém, as lesões hansênicas têm características bem diferentes: na forma tuberculoide, há placa ou mancha hipocrômica/eritematosa com bordas bem delimitadas e perda de sensibilidade (anestesia local); na forma virchowiana, há infiltração difusa da pele, nódulos e madarose, sem a úlcera típica; na forma dimorfa (borderline), há placas com bordas imprecisas e alterações de sensibilidade. A tuberculose cutânea (lúpus vulgar, escrofuloderma) apresenta lesões variadas, mas não a úlcera de Bauru clássica. A chave é a associação: úlcera indolor + bordas elevadas + granulações grosseiras + áreas expostas = LTA.
Guarde essa tríade semiológica — é exatamente ela que separa a alternativa correta das demais.
Úlcera de Bauru (LTA): Características (Indolor, Bordas elevadas e delimitadas, Fundo com granulações grosseiras, Áreas expostas); Complicações (Infecção bacteriana (dor, exsudato), Eczema perilesional (lesão ectimoide)); Diagnóstico (Pesquisa direta do parasita, Intradermorreação de Montenegro, Anatomopatológico); Tratamento (Antimoniato de meglumina)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A descrição do enunciado é a úlcera de Bauru, lesão patognomônica da leishmaniose tegumentar americana (LTA). Todos os elementos — úlcera indolor, bordas elevadas e bem delimitadas, fundo com granulações grosseiras, localização em áreas expostas — são clássicos da doença. A infecção secundária e o eczema perilesional são complicações reconhecidas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hanseníase dimorfa (borderline) apresenta placas eritematosas com bordas imprecisas (foveolares) e alterações de sensibilidade, não a úlcera de bordas elevadas descrita. A perda de sensibilidade é o marco da hanseníase, ausente no quadro típico de LTA.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hanseníase virchowiana (lepromatosa) é a forma multibacilar, com infiltração difusa da pele, nódulos (hansenomas), madarose e comprometimento sistêmico, sem a úlcera típica de bordas elevadas. A lesão ulcerada não é a manifestação característica dessa forma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hanseníase tuberculoide é a forma paucibacilar, com manchas ou placas hipocrômicas/eritematosas, bordas bem delimitadas e anestesia local. A úlcera não é a lesão típica; a alteração de sensibilidade é o achado central.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tuberculose cutânea (lúpus vulgar, escrofuloderma, tuberculose verrucosa) apresenta lesões variadas — como placas, nódulos, abscessos e fístulas — mas não a úlcera de Bauru com bordas elevadas e granulações grosseiras. A localização e o aspecto são distintos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as lesões de hanseníase e as de leishmaniose. A palavra-chave é úlcera: a hanseníase raramente ulcera na forma inicial e cursa com alteração de sensibilidade, enquanto a LTA tem a úlcera indolor clássica. Fique atento a esse detalhe — ele resolve a questão.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar na prova, monte um quadro mental: LTA = úlcera indolor + bordas elevadas + granulações grosseiras; hanseníase = mancha/placa + alteração de sensibilidade. Se a lesão é ulcerada e indolor, pense em leishmaniose.