Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2023

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce156406
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Médico
A doença neuroparalítica grave, não contagiosa, resultante da ação de toxinas produzidas por bactéria por contaminação alimentar (intestinal) ou por ferimentos (porta de entrada), com manifestações neurológicas e(ou) gastrointestinais, é o(a)
  1. Acólera.
  2. Btétano.
  3. Cbotulismo.
  4. Ddifteria.
  5. Efebre tifoide.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — botulismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Botulismo: doença neuroparalítica grave por toxina bacteriana

Gabarito: letra C. O botulismo é a doença neuroparalítica grave, não contagiosa, causada pela toxina botulínica produzida pelo Clostridioides botulinum, que pode ser adquirida por contaminação alimentar (forma intestinal) ou por ferimentos (porta de entrada), com manifestações neurológicas e/ou gastrointestinais. As demais alternativas não se encaixam na descrição: cólera e febre tifoide são doenças intestinais sem neuroparalisia, o tétano é neuroparalítico mas não por via alimentar, e a difteria é uma infecção respiratória com manifestações principalmente locais.

O botulismo é uma doença rara e potencialmente letal, causada pela neurotoxina produzida pela bactéria anaeróbica formadora de esporos, Clostridioides botulinum. A toxina botulínica bloqueia as junções neuromusculares colinérgicas voluntárias e autônomas por meio de sua ligação irreversível às terminações nervosas pré-sinápticas, nas quais ela inibe a liberação de acetilcolina. Essa inibição da acetilcolina é o mecanismo central da doença: sem a liberação desse neurotransmissor, o impulso nervoso não chega ao músculo, resultando em paralisia flácida.

As formas humanas da doença incluem o botulismo de origem alimentar, mais frequentemente causado por alimentos enlatados caseiros, o botulismo de feridas, em que a maioria dos casos ocorre entre usuários de heroína do tipo "black tar", e o botulismo do lactente, que ocorre habitualmente no segundo mês de vida devido à colonização intestinal. A doença caracteriza-se por paralisia flácida descendente simétrica, que começa com borramento visual ou diplopia, ptose, disfagia, xerostomia, disartria e fraqueza muscular. Em geral, os sinais/sintomas começam 10 a 36 horas após a ingestão de alimento contaminado.

A descrição do enunciado — "doença neuroparalítica grave, não contagiosa, resultante da ação de toxinas produzidas por bactéria por contaminação alimentar (intestinal) ou por ferimentos (porta de entrada), com manifestações neurológicas e(ou) gastrointestinais" — é uma definição clássica de botulismo. A palavra-chave é "neuroparalítica": o botulismo é a única doença entre as alternativas que se apresenta com paralisia flácida como manifestação principal. Além disso, a menção a duas portas de entrada (alimentar e ferimentos) é característica do botulismo, que pode ser adquirido por ambas as vias.

A pegadinha da banca está em confundir o botulismo com o tétano, que também é uma doença neuroparalítica não contagiosa causada por toxina bacteriana. No entanto, o tétano é causado pelo Clostridium tetani, que produz a tetanospasmina, e a porta de entrada é exclusivamente por ferimentos (solução de continuidade da pele ou mucosas), não por contaminação alimentar. Além disso, o tétano causa paralisia espástica (hipertonia muscular, espasmos), enquanto o botulismo causa paralisia flácida. Essa distinção entre paralisia espástica e flácida é o critério decisivo que separa as alternativas.

Botulismo
  • 1Agente: Clostridioides botulinum
  • 2Toxina bloqueia acetilcolina
  • 3Paralisia flácida descendente
  • 4Portas de entrada
    • Alimentar (intestinal)
    • Ferimentos
  • 5Formas
    • Alimentar
    • Feridas
    • Lactente
  • 6Sintomas
    • Diplopia, ptose
    • Disfagia, disartria
    • Fraqueza muscular
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cólera é uma doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina do Vibrio cholerae, adquirida por ingestão de água ou alimentos contaminados. Suas manifestações clínicas são diarreia aquosa aguda, vômitos e desidratação grave, podendo levar ao choque. Não há componente neuroparalítico na cólera — a toxina atua no intestino, causando diarreia secretória, e não no sistema nervoso. A banca incluiu a cólera como distrator por ser uma doença de transmissão alimentar, mas ela não causa paralisia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tétano é uma doença infecciosa aguda não contagiosa, causada pelas exotoxinas (tetanospasminas) do Clostridium tetani. A infecção ocorre pela penetração direta dos esporos em uma solução de continuidade da pele ou das mucosas (ferimentos), nunca por contaminação alimentar. Clinicamente, manifesta-se por hipertonia muscular mantida, hiper-reflexia e espasmos ou contraturas paroxísticas — ou seja, paralisia espástica, não flácida. O enunciado menciona "contaminação alimentar (intestinal) ou por ferimentos", o que exclui o tétano, que tem apenas a via de ferimentos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O botulismo é a doença neuroparalítica grave, não contagiosa, causada pela toxina botulínica do Clostridioides botulinum. A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina nas junções neuromusculares, causando paralisia flácida descendente simétrica. As formas humanas incluem o botulismo de origem alimentar (por alimentos contaminados, geralmente enlatados caseiros) e o botulismo de feridas (por contaminação de ferimentos). As manifestações incluem borramento visual, diplopia, ptose, disfagia, disartria, fraqueza muscular e, no botulismo alimentar, também sintomas gastrointestinais como náuseas e vômitos. Essa combinação de neuroparalisia com duas portas de entrada (alimentar e ferimentos) é exclusiva do botulismo entre as alternativas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A difteria é uma doença infecciosa aguda causada pelo Corynebacterium diphtheriae, que produz uma exotoxina que afeta principalmente as vias respiratórias superiores, formando pseudomembranas na garganta. A toxina diftérica pode causar miocardite e neuropatia, mas a doença não é primariamente neuroparalítica e não é adquirida por contaminação alimentar. A porta de entrada é respiratória, não intestinal ou por ferimentos. A banca incluiu a difteria como distrator por ser uma doença bacteriana produtora de toxina, mas o quadro clínico descrito não corresponde.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A febre tifoide é uma doença sistêmica causada pela Salmonella typhi, adquirida por ingestão de água ou alimentos contaminados. As manifestações incluem febre alta, dor abdominal, diarreia ou constipação, e pode haver complicações como perfuração intestinal. Não há componente neuroparalítico — a bactéria invade a mucosa intestinal e se dissemina pela corrente sanguínea, mas não produz neurotoxina que cause paralisia. A banca incluiu a febre tifoide como distrator por ser uma doença de transmissão alimentar, mas o quadro clínico é gastrointestinal e sistêmico, não neurológico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir botulismo com tétano, pois ambos são doenças neuroparalíticas não contagiosas causadas por toxinas bacterianas. A diferença crucial: o tétano causa paralisia espástica (hipertonia, espasmos) e tem porta de entrada exclusivamente por ferimentos; o botulismo causa paralisia flácida (fraqueza muscular, ptose, diplopia) e pode ser adquirido por via alimentar ou por ferimentos. O enunciado menciona "contaminação alimentar (intestinal) ou por ferimentos", o que só se aplica ao botulismo. Com treino, você enxerga essa distinção de longe 💪

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/ce156406