Questão de Direito Penal — Causas de extinção da punibilidade — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce156887
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PC-AL
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Delegado de Polícia Civil
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. A afirmativa está incorreta. O fato de Pedro ser neto da vítima (ascendente) não exclui a ilicitude do furto, mas sim isenta o agente de pena por força do art. 181, II, do Código Penal – trata-se de uma escusa absolutória (causa de isenção de pena), e não de uma causa de exclusão da ilicitude. Além disso, a isenção independe de representação, pois o crime de furto (art. 155, CP) é de ação penal pública incondicionada.
A banca procura confundir dois institutos dogmaticamente distintos:
Exclusão da ilicitude: causas previstas no art. 23 do CP (legítima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal, exercício regular de direito) que tornam o fato lícito desde o início.
Escusa absolutória: causa pessoal de isenção de pena prevista no art. 181 do CP, que mantém a ilicitude do fato, mas, por razões de política criminal (preservação da harmonia familiar), impede a punição do agente.
A assertiva contém dois erros:
Chama de “exclusão da ilicitude” o que é, na verdade, isenção de pena (escusa absolutória).
Condiciona a isenção à ausência de representação, quando, no furto, a ação penal é pública incondicionada, ou seja, o Ministério Público pode agir de ofício, sem qualquer manifestação da vítima.
A literalidade do dispositivo que rege o caso é a seguinte:
Código Penal – Art. 181 (Escusas absolutórias):
É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo:
II – de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural.
Observe que o artigo não exige representação; a isenção opera automaticamente, bastando o parentesco. Ainda que a avó representasse criminalmente contra o neto, a escusa absolutória seria aplicada e Pedro não poderia ser punido, salvo nas exceções do art. 183 (violência ou grave ameaça, concurso de estranhos, etc.) – que não estão presentes no caso.
Instituto | Natureza Jurídica | Efeito | Fundamento Legal | Exige Representação? |
|---|---|---|---|---|
Exclusão da ilicitude | Causa excludente da antijuridicidade | Torna o fato lícito (não há crime) | Art. 23 do CP (legítima defesa, estado de necessidade, etc.) | Não se aplica |
Escusa absolutória (art. 181, II, CP) | Causa pessoal de isenção de pena | O fato permanece ilícito, mas o agente não é punido | Art. 181, II, CP (furto contra ascendente) | Não (ação penal pública incondicionada) |
A banca troca o instituto da escusa absolutória (isenção de pena) pela exclusão de ilicitude, e ainda introduz a representação como condição para a isenção. O candidato desatento pode confundir as figuras e marcar “Certo”. Lembre-se: no furto contra ascendente, a isenção é automática e independe de representação; e o fato continua ilícito, apenas não se pune o autor por opção legislativa.
Gabarito: ❌ ERRADO.
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