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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce156919
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-AL
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Delegado de Polícia Civil

Texto CG1A1-I


    Entre 2016 e 2020, 35 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos de idade foram mortos de forma violenta no Brasil - uma média de 7 mil por ano. Além disso, de 2017 a 2020, 180 mil sofreram violência sexual uma média de 45 mil por ano. É o que revela o documento Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). 


     Segundo o documento, a violência se dá de forma diferente de acordo com a idade da vítima. Crianças morrem, com frequência, em decorrência da violência doméstica, perpetrada por um agressor conhecido. O mesmo vale para a violência sexual contra elas, cometida dentro de casa, por pessoas próximas. Já os adolescentes morrem, majoritariamente, fora de casa, vítimas da violência armada urbana e o racismo. 

    
    Conforme os dados constantes no referido documento, a maioria das vítimas de mortes violentas é adolescente Das 35 mil mortes violentas de pessoas com idade até 19 anos identificadas entre 2016 e 2020, mais de 31 mil tinham idade entre 15 e 19 anos. A violência letal, nos estados com dados disponíveis para a série histórica, teve um pico entre 2016 e 2017, e vem caindo, voltando aos patamares dos anos anteriores. Ao mesmo tempo, o número de crianças de até 4 anos de idade vítimas de violência letal aumenta, o que traz um sinal de alerta. 
   
     “A violência contra a criança acontece, principalmente, em casa. A violência contra adolescentes acontece na rua, com foco em meninos negros. Embora sejam fenômenos complementares e simultâneos, é crucial entendê-los também em suas diferenças, para desenhar políticas públicas efetivas de prevenção e resposta às violências”, afirma Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil. 

  
        Os dados publicados no panorama foram obtidos pelo FBSP, por meio da Lei de Acesso à Informação. Foram solicitados, a cada estado brasileiro ((os dados de boletins de ocorrência dos últimos cinco anos, referentes a mortes violentas intencionais (homicídio doloso; feminicídio; latrocínio; lesão corporal seguida de morte; e mortes decorrentes de intervenção policial) e violência sexual (estupros e estupros de vulneráveis) contra crianças e adolescentes. Essas informações não são sistematicamente reunidas e padronizadas, tratando-se, portanto, de uma análise inédita e essencial para a prevenção e a resposta à violência contra meninas e meninos.

 Internet <www unicef org >(com adaptações)

A respeito de aspectos gramaticais e semânticos do texto CG1A1-I, julgue o item subsequente.Estariam preservadas a correção gramatical e a coerência da organização das ideias do segundo parágrafo caso os dois primeiros períodos fossem unidos em um só, substituindo-se o ponto que segue a palavra "vítima" (primeiro período) por virgula, desde que feitos os devidos ajustes de maiúscula e minúscula.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do item — junção de períodos no segundo parágrafo

ERRADO. A afirmação de que estariam preservadas a correção gramatical e a coerência ao unir os dois primeiros períodos do segundo parágrafo por uma vírgula é falsa. A substituição do ponto final por vírgula geraria um comma splice (união de duas orações independentes sem conectivo), o que compromete a correção gramatical, mesmo com o ajuste de maiúscula/minúscula.

O que diz o texto: O segundo parágrafo inicia-se com o período "Segundo o documento, a violência se dá de forma diferente de acordo com a idade da vítima." (primeiro período) e imediatamente depois vem "Crianças morrem, com frequência, em decorrência da violência doméstica, perpetrada por um agressor conhecido." (segundo período). São duas orações independentes: a primeira afirma que a violência varia conforme a idade; a segunda exemplifica com o caso das crianças.

Análise da proposta: Unir os dois períodos com vírgula resulta em: "Segundo o documento, a violência se dá de forma diferente de acordo com a idade da vítima, crianças morrem, com frequência, em decorrência da violência doméstica, perpetrada por um agressor conhecido." A vírgula entre "vítima" e "crianças" separa duas orações que poderiam funcionar sozinhas (sujeitos diferentes: "a violência" e "crianças"). Sem um conectivo coordenativo (como "e", "pois", "porque"), a construção é gramaticalmente incorreta — caracteriza comma splice. A coerência do conteúdo é mantida, mas a correção gramatical é violada. A banca exige que ambos os requisitos (correção gramatical e coerência) sejam preservados; como um deles falha, a afirmação é Errada.

PEGA ESSA DICA!

Em provas, desconfie de propostas que unem orações independentes apenas por vírgula. A vírgula isolada não é suficiente para ligar dois períodos; é necessário um conectivo (e, mas, porque, etc.) ou então o uso de dois-pontos, ponto-e-vírgula ou reestruturação da frase.

Conclusão: A união proposta quebraria a norma culta da pontuação, tornando o período gramaticalmente incorreto. Portanto, o item está Errado.

Gabarito: E

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