Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Constitucional — Funções Essenciais à Justiça — CESPE / CEBRASPE 2023

Direito ConstitucionalFunções Essenciais à Justiça
Código
ce157357
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PGE-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Procurador do Estado
Com base na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) em matéria de saúde pública, assinale a opção correta.
  1. AO Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de ação civil pública que vise ao fornecimento de remédios a portadores de determinada doença.
  2. BÉ solidária a responsabilidade dos entes federados pela prestação de tratamento médico adequado, ainda que se busque medicamento não aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
  3. CNão cabe, em nenhum caso, o fornecimento de medicamentos experimentais pelo Estado.
  4. DNão cabe demandar os estados, o Distrito Federal e os municípios para fornecer medicamentos oncológicos, cuja responsabilidade é exclusiva da União.
  5. EA intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais viola o princípio da separação dos poderes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — O Ministério Público é parte legítima para ajuizamento de ação civil pública que vise ao fornecimento de remédios a portadores de determinada doença.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direito à saúde e jurisprudência do STF

Gabarito: letra A. O Supremo Tribunal Federal consagrou a legitimidade do Ministério Público para ajuizar ação civil pública visando ao fornecimento de medicamentos, por tratar-se de direito difuso à saúde. As demais alternativas colidem com a jurisprudência consolidada da Corte, que admite exceções ao fornecimento de medicamentos não aprovados pela ANVISA, rejeita a exclusividade da União na responsabilidade por medicamentos oncológicos e não considera a intervenção judicial em políticas públicas de saúde como violação à separação dos Poderes (STF, Tema 698).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o uso de expressões absolutas como "nenhum caso" (alternativa C) e "viola" (alternativa E) para testar a correta compreensão dos precedentes do STF, que admitem exceções. Fique atento: o STF permite o fornecimento excepcional de medicamentos experimentais e não considera a intervenção judicial uma violação ao princípio da separação dos Poderes.

Direito à saúde (STF)
  • 1Legitimidade do MP
    • Ação civil pública
    • Interesse difuso
    • Fornecimento de medicamentos
  • 2Medicamento não aprovado pela ANVISA
    • Excepcional
    • Requisitos cumulativos (Tema 1.161)
      • Autorização de importação pela ANVISA
      • Incapacidade financeira do paciente
      • Imprescindibilidade clínica
      • Sem alternativa no SUS
  • 3Responsabilidade dos entes
    • Solidariedade (art. 198, CF)
    • Não é automática
    • Condicionada aos requisitos
  • 4Medicamento experimental
    • Não cabe em nenhum caso
    • Exceções admitidas pelo STF
  • 5Intervenção judicial
    • Viola separação dos Poderes
    • STF admite exceções
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O Ministério Público, como instituição essencial à função jurisdicional (CF, art. 127, caput), detém legitimidade para propor ação civil pública na defesa de interesses difusos e coletivos, entre os quais se insere o direito à saúde. A jurisprudência do STF é pacífica nesse sentido, reconhecendo a possibilidade de o MP demandar o fornecimento de medicamentos para portadores de determinada doença, independentemente de autorização específica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A responsabilidade solidária dos entes federados na prestação de serviços de saúde (art. 198, CF) não é automática e incondicionada. O STF, no julgamento do Tema 1.161 (RE 1.165.959), estabeleceu que o fornecimento de medicamento não aprovado pela ANVISA é excepcional e depende de requisitos cumulativos: autorização de importação pela ANVISA, comprovação de incapacidade financeira do paciente, imprescindibilidade clínica e inexistência de alternativa terapêutica no SUS. A alternativa afirma que a solidariedade persiste "ainda que se busque medicamento não aprovado", ignorando essas condicionantes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que "não cabe, em nenhum caso, o fornecimento de medicamentos experimentais pelo Estado" é absolutamente contrária à jurisprudência do STF. A Corte admite, em caráter excepcional, o fornecimento de medicamentos experimentais quando preenchidos rigorosos requisitos, como a ausência de alternativa terapêutica, a imprescindibilidade do tratamento e a capacidade financeira do paciente. O termo "nenhum caso" é o principal indicativo do erro, pois o STF reconhece hipóteses de cabimento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A responsabilidade pelo fornecimento de medicamentos oncológicos não é exclusiva da União. O Sistema Único de Saúde (SUS) é descentralizado e a competência para a dispensação de medicamentos é compartilhada entre União, estados, Distrito Federal e municípios, conforme as diretrizes do art. 198 da CF e da Lei 8.080/1990. Assim, é plenamente possível demandar estados e municípios para o fornecimento desses medicamentos, não havendo vedação jurisprudencial nesse sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O STF, no Tema 698 (RE 684.612), decidiu expressamente que "a intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, em caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação dos poderes". A alternativa sustenta exatamente o contrário, incorrendo em erro frontal. A Corte entende que o Poder Judiciário pode, sim, determinar à Administração Pública que adote medidas para assegurar o direito à saúde, sem que isso configure ingerência indevida.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/ce157357