Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Civil — Direito das Coisas / Direitos Reais — CESPE / CEBRASPE 2023

Direito CivilDireito das Coisas / Direitos Reais
Código
ce157438
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PGE-SE
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Procurador do Estado
Com base no que dispõe o Código Civil sobre posse e usucapião, assinale a opção correta.
  1. APossuidor é aquele que exerce todos os poderes inerentes à propriedade.
  2. BA posse de má-fé não gera qualquer direito.
  3. CPosse de má-fé é o mesmo que posse violenta ou clandestina.
  4. DA pessoa que tiver posse direta, sem interrupção e sem contestação, por dois anos, de imóvel de até 250 m2 , utilizado para sua moradia, e que antes dividia com ex-companheiro ou ex-cônjuge que tenha abandonado o lar, pode adquirir o domínio do imóvel se não possuir nenhum outro, urbano ou rural.
  5. EA exigência de não possuir imóvel para a usucapião urbana não se estende a imóveis rurais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A pessoa que tiver posse direta, sem interrupção e sem contestação, por dois anos, de imóvel de até 250 m2 , utilizado para sua moradia, e que antes dividia com ex-companheiro ou ex-cônjuge que tenha abandonado o lar, pode adquirir o domínio do imóvel se não possuir nenhum outro, urbano ou rural.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Posse e usucapião no Código Civil

Gabarito: letra D. A alternativa D descreve corretamente a usucapião especial urbana por abandono do lar (usucapião familiar), que exige posse direta, ininterrupta e sem contestação por dois anos, área de até 250 m², moradia do possuidor, abandono do lar pelo ex-cônjuge ou ex-companheiro, e que o possuidor não possua outro imóvel urbano ou rural. As demais alternativas estão incorretas conforme os arts. 1.196, 1.200 e 1.240 do Código Civil.

A questão exige o conhecimento das definições de posse e das modalidades de usucapião previstas no Código Civil, especialmente a usucapião especial urbana e suas variações.

Critério

Alternativa D (Gabarito)

Fundamento Legal

Tipo de usucapião

Usucapião especial urbana por abandono do lar (familiar)

Art. 1.240 do CC c/c Lei 12.424/2011

Prazo de posse

2 anos, ininterruptos e sem contestação

Art. 1.240, caput

Área máxima do imóvel

Até 250 m²

Art. 1.240, caput

Finalidade da posse

Moradia do possuidor

Art. 1.240, caput

Condição do ex-companheiro/ex-cônjuge

Abandono do lar

Art. 1.240, parágrafo único

Requisito negativo

Possuidor não pode possuir outro imóvel urbano ou rural

Art. 1.240, caput

Natureza da posse

Posse direta

Art. 1.240, caput

Posse (CC)
  • 1Conceito (art. 1.196)
    • Exercício de algum poder
    • Todos os poderes
  • 2Classificação
    • Justa (art. 1.200)
      • Violenta
      • Clandestina
      • Precária
    • Boa-fé / Má-fé
      • Má-fé gera alguns direitos
      • Má-fé = violenta/clandestina
  • 3Usucapião especial urbana
    • Familiar (art. 1.240)
      • Posse direta 2 anos
      • Até 250 m²
      • Moradia do possuidor
      • Abandono do lar
      • Outro imóvel (urbano ou rural)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O art. 1.196 do Código Civil define:

Art. 1196CC

Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.

Portanto, não é necessário exercer todos os poderes, bastando o exercício, pleno ou não, de algum deles. A alternativa restringe indevidamente o conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A posse de má-fé não é desprovida de todo direito. O possuidor de má-fé tem direito, por exemplo, ao ressarcimento das benfeitorias necessárias (art. 1.216 do CC) e, em certos casos, pode adquirir a propriedade por usucapião (ex.: usucapião de bem móvel independentemente de boa-fé, art. 1.261). Afirmar que não gera qualquer direito é equivocado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O art. 1.200 do Código Civil estabelece:

Art. 1200CC

É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.

A posse violenta ou clandestina são espécies de posse injusta (vícios objetivos). Já a posse de má-fé é um conceito subjetivo (o possuidor conhece o vício). Não se confundem; uma posse pode ser justa (não violenta, não clandestina, não precária) mas de má-fé, e vice-versa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve a usucapião especial urbana por abandono do lar (também chamada de usucapião familiar). Essa modalidade, prevista no ordenamento jurídico brasileiro (art. 1.240 do CC c/c Lei 12.424/2011), exige:

  • posse direta e ininterrupta por dois anos (prazo reduzido em relação aos cinco anos da usucapião especial urbana comum);

  • imóvel urbano de até 250 m²;

  • utilização para moradia do possuidor;

  • o imóvel anteriormente era dividido com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar;

  • o possuidor não pode ser proprietário de outro imóvel, urbano ou rural.

Todos esses requisitos estão presentes no texto da alternativa, tornando-a correta.

NÃO CAIA NESSA!

O prazo de dois anos pode confundir o candidato, já que a usucapião especial urbana “comum” (art. 1.240, caput) exige cinco anos. Não se engane: a usucapião por abandono do lar (familiar) realmente tem prazo reduzido de dois anos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O art. 1.240 do CC, ao tratar da usucapião especial urbana, exige que o possuidor “não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. Portanto, a vedação abrange tanto imóveis urbanos quanto rurais. A alternativa afirma o contrário, logo está errada.

Gabarito: letra D — a única alternativa que descreve corretamente um instituto de usucapião previsto no direito brasileiro.

Link permanente: /questoes/ce157438