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Questão de Português — Morfologia - Verbos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
ce161002
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SERPRO
Ano
2023
Nível
Superior
Cargo
Analista - Especialização: Tecnologia
Texto CB1A1-I

      Os pais pediram que o menino fosse dormir cedo para que pudesse acordar à hora da passagem do ano. A julgar pela insistência da recomendação, o ano não passaria se ele não se deitasse. O que seria, francamente, um problemão — e para o mundo todo. Se o ano não virasse, tudo o que estava para acontecer a partir da meia-noite bruscamente ficaria retido nas malas, nos pacotes, na escuridão. Por respeito à humanidade, o garoto acatou. Quer dizer, mais ou menos — ficaria na cama de olhos fechados, igual quando brincava de morto, mas dormir mesmo não dormiria. Só estando acordado seria possível devassar de vez o mistério da passagem do ano.
      Os adultos mentem muito, sabia. Até mesmo sua mãe, que lhe pede não mentir nunca, inventava histórias quando ele perguntava “como era a cara do ano velho e do ano novo”. Sempre lhe respondiam, com sorrisos enigmáticos que não esclarecem nada, que tudo dependia da sua maneira de olhar. Mas olhar o quê? O ano velho indo embora tal qual um balão, “subindo, perdendo gás, perdendo gás, até acabar muito chocho”? Ou a chegada do novo, que descia de paraquedas na praça General Osório, trazendo uma mochila munida de “talco, escova de dentes e pombas”, para soltar em sinal de paz e alegria? Pouca coisa fazia sentido naquela cabeça de menino.
      Confinado em seu quarto, correu para a janela depois do beijo materno de boa noite e ali ficou, vigia do réveillon. Era preciso guardar o céu, pois com certeza “o ano passa no ar”. Mas o que faria, então, tanta gente na rua, tanto carro buzinando, sem ninguém olhando para cima? Já estavam, decerto, acostumados. “É ruim, ficar acostumado: não se vê mais nada, as coisas vão se apagando”, concluiu a criança da crônica de Drummond. Ninguém ia perceber a passagem do ano.
        Desiludido, o menino pegou no sono e acordou no chão, apavorado com o estrondo da virada. Foi correndo para a sala, onde os adultos, falando um pouco arrastado, tinham perdido o jeito comum, o jeito diurno. “Ele passou?”, quis saber. Carinhosa, a mãe levou-o de volta para o quarto, encostou o rosto em seu rosto e rogou-lhe que dormisse outra vez. O ano passara sem que ele o visse. Bem que sua mãe tinha alertado: só dependia da maneira de olhar... e ele não acertara com a maneira.

Guilherme Tauil. Para o ano que chega. Internet: < https://cronicabrasileira.org.br> (com adaptações).  
Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o próximo item.As orações do quinto período do quarto parágrafo estão construídas com verbos no modo subjuntivo, o que confere ao enunciado o sentido de uma suposta alegação.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Verbos no quinto período do quarto parágrafo

Gabarito: Errado (E). A afirmação de que as orações do quinto período do quarto parágrafo estão construídas com verbos no modo subjuntivo é falsa, pois o período contém um verbo no indicativo, e o sentido não é de suposta alegação.

Análise do período

O quinto período do quarto parágrafo é: "O ano passara sem que ele o visse."

  • "passara" — pretérito mais-que-perfeito do indicativo (não subjuntivo).

  • "visse" — pretérito imperfeito do subjuntivo (correto, mas não exclusivo).

A presença do verbo "passara" no indicativo desmente a afirmação de que todas as orações do período têm verbos no subjuntivo. A banca afirma que "as orações estão construídas com verbos no modo subjuntivo", o que é impreciso: apenas a oração subordinada adverbial introduzida por "sem que" está no subjuntivo; a oração principal está no indicativo.

Sentido de suposta alegação?

O período narra um fato concreto: o ano passou e o menino não o viu. Não há uma alegação suposta (hipotética). O verbo "visse" no subjuntivo expressa uma circunstância de ausência de visão, mas o conjunto do enunciado é factual, declarativo — não um suposto ou alegado. O sentido de "suposta alegação" seria típico de orações que expressam dúvida, hipótese ou citação indireta, o que não ocorre aqui.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre modo verbal, identifique todos os verbos do trecho e confira se a classificação se aplica a cada um. A banca frequentemente usa "todo" ou "as orações" para criar uma generalização falsa.

Conclusão

O item está Errado (E) porque o quinto período contém um verbo no indicativo ("passara") e não transmite sentido de suposta alegação.

Gabarito: E

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