Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce161302
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SME do Recife - PE
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor II - Disciplina: Ciências
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O surgimento de superbactérias não decorre da "lei do uso e desuso" — um conceito lamarckista superado —, mas sim da seleção natural darwiniana: a exposição aos antibióticos seleciona bactérias que já possuem (ou adquirem por mutação/transferência genética) mecanismos de resistência, como a produção de enzimas que inativam o fármaco. A afirmativa inverte o mecanismo evolutivo, atribuindo à exposição um efeito direto de "criação" de enzimas, quando na verdade a resistência é pré-existente ou adquirida por variação genética e favorecida pela pressão seletiva.
A "lei do uso e desuso" foi proposta por Lamarck para explicar a evolução: órgãos muito usados se desenvolvem e os não usados atrofiam, e essas características seriam transmitidas aos descendentes. Esse modelo foi refutado pela genética moderna — as características adquiridas durante a vida do organismo não são hereditárias. No caso das bactérias, a resistência a antibióticos surge por mutações espontâneas no DNA bacteriano ou pela transferência horizontal de genes (conjugação, transformação, transdução), que pode ocorrer inclusive entre espécies diferentes. O antibiótico não "ensina" a bactéria a produzir enzimas; ele seleciona as bactérias que já carregam os genes de resistência, eliminando as sensíveis e permitindo que as resistentes se multipliquem. Esse é o mecanismo darwiniano de seleção natural atuando sobre a variabilidade genética.
A banca explora a confusão entre o lamarckismo (uso e desuso) e o darwinismo (seleção natural). O candidato que lembra que "bactérias ficam resistentes após contato com antibióticos" pode ser levado a aceitar a explicação lamarckista, mas a Biologia moderna explica o fenômeno pela seleção de variantes resistentes pré-existentes. Além disso, a produção de enzimas (como as carbapenemases, que inativam carbapenêmicos) é um mecanismo de resistência que pode ser codificado em plasmídeos, transferíveis entre bactérias — o que acelera a disseminação da resistência.
A afirmativa está errada porque atribui o surgimento de superbactérias à "lei do uso e desuso", um conceito evolutivo superado. A resistência bacteriana não é induzida diretamente pelo antibiótico; ela surge por variação genética (mutação ou transferência de genes) e é selecionada pela pressão do antibiótico. A produção de enzimas que degradam antibióticos é um mecanismo de resistência que já existe em algumas bactérias ou é adquirido por transferência genética, e não uma resposta "adquirida pelo uso" que seria herdada. Portanto, o mecanismo correto é a seleção natural darwiniana, não o uso e desuso lamarckista.
A banca troca o mecanismo evolutivo: apresenta a "lei do uso e desuso" (lamarckismo) como explicação para a resistência bacteriana, quando o correto é a seleção natural (darwinismo). O antibiótico não induz a produção de enzimas; ele seleciona bactérias que já possuem genes de resistência. Fique atento: se a alternativa mencionar "uso e desuso" ou "herança de caracteres adquiridos", está errada — a resistência é pré-existente ou adquirida por mutação/transferência genética.
Para questões sobre resistência bacteriana, lembre-se do tripé: mutação (variação genética espontânea), transferência horizontal (plasmídeos, conjugação, transdução) e seleção natural (o antibiótico elimina sensíveis e favorece resistentes). Se a alternativa citar Lamarck, descarte na hora — a banca adora essa pegadinha.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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