Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce161626
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SME do Recife - PE
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor II - Disciplina: Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
✅ CERTO. A afirmação está correta: a expressão “sem eira, nem beira”, originalmente ligada à falta de recursos materiais, é ampliada no poema para abranger o sentimento de desamparo provocado pela desordem amorosa.
A comprovação está no próprio texto. No primeiro verso, lê-se:
“Cantiga do amor sem eira nem beira, / vira o mundo de cabeça para baixo, / suspende a saia das mulheres, / tira os óculos dos homens,”
O amor é descrito como algo que “vira o mundo de cabeça para baixo”, causando desordem. Essa ideia de desordem e vulnerabilidade é reforçada ao longo do poema. Mais adiante, o eu lírico canta:
“o amor pulou o muro / o amor subiu na árvore / em tempo de se estrepar. / Pronto, o amor se estrepou. / Daqui estou vendo o sangue / que escorre do corpo andrógino. / Essa ferida, meu bem, / às vezes não sara nunca / às vezes sara amanhã.”
O sangue, a ferida que “não sara nunca” e o “corpo andrógino” (indefeso) expressam o desamparo e a dor vinculados ao amor. A expressão “sem eira nem beira”, portanto, deixa de ser apenas material e passa a metaforizar a falta de estabilidade, de proteção – ou seja, o desamparo afetivo.
O candidato poderia entender que a expressão mantém apenas o sentido literal (pobreza material). No entanto, a banca explora a ampliação de sentido no contexto poético, que é autorizada pelos versos seguintes.
Gabarito: Certo (C).
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