Questão de Matemática — Derivada — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce162727
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TBG
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Engenheiro Júnior – Ênfase: Projetos e Obras, Elétrica
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. Se e são soluções da equação diferencial linear homogênea de segunda ordem , com , então o conjunto solução é exatamente o espaço vetorial gerado por essas duas funções, ou seja, toda solução é uma combinação linear . Isso decorre do Teorema de Existência e Unicidade para equações diferenciais ordinárias lineares, que garante que o espaço de soluções tem dimensão 2, e do fato de que e são linearmente independentes (seu Wronskiano é ).
Para entender por que a afirmação é verdadeira, precisamos revisar a teoria das equações diferenciais lineares homogêneas de segunda ordem. Uma equação da forma é linear e homogênea. O conjunto de todas as suas soluções forma um espaço vetorial de dimensão 2. Isso significa que, se encontrarmos duas soluções linearmente independentes, qualquer outra solução será uma combinação linear delas.
No caso, as funções dadas são e . Para que elas sejam soluções, ao substituir na equação, obtemos condições sobre os coeficientes , e . Vamos verificar:
, .
, .
Substituindo na equação:
Para que isso seja identicamente nulo para todo , precisamos que e . Como , temos e .
Substituindo :
Novamente, e , o que confirma e .
Portanto, a equação diferencial se reduz a , ou seja, (dividindo por ). Essa é a equação clássica do oscilador harmônico, cuja solução geral é exatamente .
A independência linear de e é garantida pelo Wronskiano:
Como o Wronskiano é não nulo (pois ), as duas soluções são linearmente independentes. Pelo teorema da existência e unicidade, o espaço de soluções tem dimensão 2, e essas duas funções formam uma base. Logo, qualquer solução é combinação linear delas.
A banca pode tentar confundir o candidato fazendo-o pensar que a afirmação só vale se as raízes da equação característica forem complexas. Mas aqui, o fato de e serem soluções já impõe que a equação característica tenha raízes , e a solução geral é exatamente essa combinação. Não há exceção: se duas soluções linearmente independentes são conhecidas, a combinação linear cobre todas as soluções.
Caso | Condições impostas (B=0, C=Ak²) | Solução geral | Resultado |
|---|---|---|---|
y₁(t) = cos(kt) é solução | C − Ak² = 0 e Bk = 0 → B = 0, C = Ak² | y(t) = c₁cos(kt) + c₂sen(kt) | Consistente |
y₂(t) = sen(kt) é solução | C − Ak² = 0 e Bk = 0 → B = 0, C = Ak² | y(t) = c₁cos(kt) + c₂sen(kt) | Consistente |
Wronskiano W(y₁,y₂) = k ≠ 0 | k ≠ 0 (dado) | y₁ e y₂ são linearmente independentes | Consistente |
Teorema de existência e unicidade | Espaço de soluções tem dimensão 2 | Qualquer solução é combinação linear de y₁ e y₂ | Consistente |
A afirmação está correta. Como demonstrado, as funções e são linearmente independentes (Wronskiano ) e, portanto, formam uma base para o espaço de soluções da equação diferencial linear homogênea de segunda ordem. Pelo teorema de existência e unicidade, toda solução é uma combinação linear dessas duas.
A alternativa E afirma que o item é errado, mas isso não procede. A condição de que e sejam soluções já garante que a equação é da forma , cuja solução geral é exatamente a combinação linear de e . Não há nenhuma outra solução que fuja dessa forma.
Gabarito: ✅ CERTO.
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