Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce164324
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TJ-ES
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- Cargo
- Anaista Judiciário - Especialidade: Licenciatura em Letras
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
O texto-base não está disponível, mas a análise é puramente gramatical e semântica, independente do conteúdo específico.
❌ ERRADO.
O trecho original apresenta a construção impessoal “Trata-se de uma ferramenta…”, que é fixa na língua culta: o verbo tratar vem acompanhido do pronome se como índice de indeterminação do sujeito, formando uma expressão que significa “é algo” ou “refere-se a algo”.
Na reescrita proposta, introduz-se um sujeito explícito — “O Ranking de competitividade dos estados” — e mantém-se o “se”: “O Ranking … trata-se da ferramenta…”. Essa combinação é gramaticalmente incorreta, pois verbos pronominais como tratar-se (quando significam “ter por assunto”) não admitem sujeito sintático; usam-se apenas na forma impessoal (3ª pessoa do singular com “se”). Se o sujeito é determinado, o verbo deve ser usado sem o pronome: “O Ranking trata da ferramenta…”.
Além disso, há alterações de sentido e coesão:
Artigo definido vs. indefinido: O original diz “uma ferramenta” (generalização); a reescrita substitui por “da ferramenta” (definido), o que pressupõe que o leitor já conheça qual ferramenta — informação não fornecida e que rompe a coesão referencial.
Paralelismo sintático: O original emprega “de diagnóstico e auxílio” (sem artigo, mantendo paralelismo com “de avaliação”); a reescrita insere “da diagnose e do auxílio” (com artigos), quebrando a estrutura coordenada e alterando sutilmente a ênfase.
Troca vocabular: “diagnóstico” por “diagnose” é sinônimo, mas “seleção” por “escolha” também é aceitável; contudo, esses não são os fatores decisivos.
Portanto, a reescrita não mantém a correção gramatical (erro na regência do verbo tratar-se) nem a coesão (mudança de artigo definido/indefinido) e altera o sentido original. O item está errado.
Ao reescrever, desconfie sempre de estruturas fixas como “trata-se de”, “cabe a”, “é preciso que”. A banca adora trocar a impessoalidade por um sujeito concreto, mantendo o “se” — isso gera erro gramatical mesmo que o restante pareça correto.
Gabarito: ERRADO (letra E).
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