Questão de Atualidades — Atualidades do ano de 2023 — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce165791
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- DATAPREV
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. A afirmação está incorreta porque, embora a taxa Selic tenha sido mantida em patamar elevado durante boa parte de 2023, o Copom reduziu a taxa ao longo do segundo semestre daquele ano — e não a aumentou. Além disso, o aumento da taxa de juros, quando ocorre, tem efeito contracionista: encarece o crédito, desestimula o consumo e tende a reduzir a inadimplência (porque há menos tomada de crédito), e não o contrário. A banca inverteu tanto o movimento da Selic quanto os efeitos econômicos esperados.
A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central do Brasil. Quando o Copom a eleva, o objetivo é conter a inflação: juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e o investimento, desacelerando a economia. Quando a reduz, busca estimular a atividade econômica, barateando o crédito e incentivando o consumo. Em 2023, o Copom iniciou um ciclo de corte da Selic em agosto, após um longo período de manutenção em 13,75% ao ano, patamar definido em agosto de 2022. A decisão de reduzir os juros refletiu a trajetória de queda da inflação e a necessidade de estimular o crescimento econômico.
A relação entre juros e inadimplência é um ponto central da pegadinha. Com juros altos, o crédito fica mais caro e as famílias tendem a contrair menos dívidas; a inadimplência, portanto, tende a cair ou a crescer menos. Com juros baixos, o crédito fica mais barato, o consumo aumenta, mas também cresce o risco de inadimplência, especialmente entre tomadores de menor renda. A afirmação do item inverte essa lógica ao dizer que o aumento da Selic provocou aumento do consumo e da inadimplência.
A banca explora a confusão entre os efeitos de alta e de baixa da taxa de juros. O candidato pode lembrar que, em 2023, houve discussão sobre a Selic e o crédito, mas não percebe que o Copom reduziu a taxa no segundo semestre. Além disso, o senso comum de que "juros altos geram inadimplência" é parcialmente verdadeiro, mas o efeito dominante é o contrário: juros altos restringem o crédito e o consumo. Fique atento ao sentido da política monetária: alta = contracionista; baixa = expansionista.
O item afirma que houve aumento da Selic em 2023, o que é factualmente incorreto. O Copom manteve a taxa em 13,75% ao ano até agosto de 2023 e, a partir de então, iniciou um ciclo de cortes, reduzindo a Selic para 12,75% em agosto, 12,25% em setembro, 11,75% em novembro e 11,25% em dezembro. Portanto, não houve aumento, mas redução.
Além do erro factual, o item erra ao afirmar que o aumento da Selic provocaria aumento do consumo e da inadimplência. Na verdade, uma elevação da taxa básica de juros tem efeito contracionista: encarece o crédito, reduz o consumo e o investimento, e tende a diminuir a inadimplência, pois há menos tomada de crédito. O raciocínio correto é o oposto: juros mais altos desestimulam o consumo e reduzem a inadimplência; juros mais baixos estimulam o consumo e podem elevar a inadimplência.
Gabarito: letra E — o item está ERRADO.
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