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Questão de Português — Morfologia - Verbos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsMorfologia - Verbos
Código
ce165911
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2023
Nível
Médio
        Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. 

Christian Dunker e Cláudio Thebas.
O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas.
São Paulo: Planeta do Brasil, 2019, p. 30-1 (com adaptações). 
Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.As formas verbais “gostaria” (antepenúltimo período), “seria” (penúltimo período) e “deveríamos” (último período) têm valor contrafatual, isto é, constituem eventos que, embora realizáveis, contrapõem-se às ações defendidas no texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor contrafatual dos verbos “gostaria”, “seria” e “deveríamos”

Gabarito: Certo (C). A afirmação está correta: os verbos em questão expressam situações hipotéticas ou desejáveis que se contrapõem às ações defendidas no texto (ouvir o que realmente é dito). No texto, lemos “não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir”, “não o que seria mais agradável” e “não o que nós ou ele deveríamos pensar”. Esses eventos são realizáveis, mas são justamente o oposto da escuta real defendida, caracterizando valor contrafatual.

Análise detalhada

  • “gostaria” (antepenúltimo período): aparece em “não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir”. O texto defende escutar o que realmente é dito, e não o que se deseja ouvir. O desejo (“gostaria”) é uma possibilidade, mas contrária à ação defendida.

  • “seria” (penúltimo período): em “não o que seria mais agradável”. Novamente, o texto rejeita a busca pelo agradável em favor da realidade. O verbo no condicional expressa uma situação hipotética que não se alinha à conduta recomendada.

  • “deveríamos” (último período): em “não o que nós ou ele deveríamos pensar”. O texto critica a imposição de um pensamento ideal, em oposição à escuta do pensamento real. O “deveríamos” indica uma obrigação hipotética, contraposta à ação efetiva de escutar.

Todos os verbos estão no modo condicional (ou futuro do pretérito) e são usados para apresentar alternativas que não correspondem ao que o texto defende. Eles são realizáveis, mas sua realização contradiria a proposta de escuta autêntica. Portanto, têm valor contrafatual.

Conclusão: A afirmativa está correta. O item deve ser julgado como Certo (C).

PEGA ESSA DICA!

Valor contrafatual não exige uma estrutura “se... então”. Pode ser expresso por verbos no condicional que indicam desejo, hipótese ou obrigação contrastantes com a realidade ou com a posição defendida no texto.

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