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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce165913
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2023
Nível
Médio
        Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. 

Christian Dunker e Cláudio Thebas.
O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas.
São Paulo: Planeta do Brasil, 2019, p. 30-1 (com adaptações). 
Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.O emprego da forma “você” (sétimo período) está inadequado ao nível de formalidade do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adequação do pronome "você" ao nível de formalidade

Gabarito: ❌ ERRADO. O emprego de “você” está adequado ao nível de formalidade do texto. A afirmação de que seria inadequado é falsa.

O texto é um ensaio reflexivo, com linguagem culta mas acessível, e o autor se dirige diretamente ao leitor para criar proximidade e engajamento. No sétimo período lê-se:

“Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais…”

O uso de “você” é um recurso estilístico perfeitamente compatível com o tom do texto, que não exige tratamento formal (como “o senhor” ou “Vossa Excelência”). A banca espera que o candidato reconheça que a formalidade de um texto não é absoluta; o registro é mediano, e “você” é adequado.

Análise das alternativas

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa “Certo” afirma que o emprego de “você” está inadequado. Isso contradiz o texto, pois o pronome é usado de forma natural e coerente com o estilo do excerto. Não há qualquer marca de exigência de tratamento mais formal; portanto, a alternativa está errada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa “Errado” é a correta. O uso de “você” está adequado. O texto não é um documento oficial ou acadêmico rígido; é um ensaio que dialoga com o leitor. Logo, a afirmação do item é falsa.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar adequação linguística, observe o gênero e o tom do texto. Textos reflexivos, crônicas, artigos de opinião frequentemente usam “você” sem quebrar a formalidade esperada. Desconfie de afirmações que impõem um padrão rígido de formalidade onde ele não existe.

Conclusão: A banca considerou que o item está errado porque o emprego de “você” não fere o nível de formalidade do texto. Gabarito: letra E (Errado).

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