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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce165914
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2023
Nível
Médio
        Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. 

Christian Dunker e Cláudio Thebas.
O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas.
São Paulo: Planeta do Brasil, 2019, p. 30-1 (com adaptações). 
Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.Segundo o texto, a arte do palhaço e a arte da escuta têm como elo o fato de ambas encararem o real sem fazer projeções.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

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A arte do palhaço e a arte da escuta: o enfrentamento do real

CERTO. O item afirma que, segundo o texto, ambas as artes encaram o real sem fazer projeções. Essa ideia está expressa diretamente no texto, que estabelece um elo entre a postura do palhaço e a lição para a escuta.

O texto caracteriza o palhaço como "um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela." (parágrafo final). Ou seja, o palhaço lida com o real tal como ele é, sem se iludir com projeções ou fantasias.

Em seguida, o autor extrai a "primeira lição" para a arte da escuta: "escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir." (último parágrafo). Essa lição é exatamente o oposto de fazer projeções: escutar o real, não o que se projeta sobre o outro.

Portanto, o texto evidencia que tanto o palhaço (ao mostrar a realidade sem deformações) quanto a escuta (ao ouvir o que realmente é dito) têm como núcleo o enfrentamento do real sem projeções. O elo está explícito: "Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta" – o "disso" retoma a postura realista do palhaço.

💡 Dica: em questões de C/E que pedem "segundo o texto", busque a passagem que sustenta literalmente a afirmação. Aqui, a expressão "escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente... gostaria de ouvir" é a chave para a ideia de "sem fazer projeções".

Gabarito: CERTO

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