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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce165915
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2023
Nível
Médio
        Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. 

Christian Dunker e Cláudio Thebas.
O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas.
São Paulo: Planeta do Brasil, 2019, p. 30-1 (com adaptações). 
Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.No trecho “introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência” (décimo período), a forma pronominal “sua” tem como referente o termo “horizonte”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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Coesão referencial: o referente de "sua"

Gabarito: ❌ ERRADO. O pronome possessivo "sua", no trecho "a sua realidade mais extensa de miséria e impotência", tem como referente "a tragédia da vida", e não "horizonte". A concordância de gênero já denuncia: "sua" é feminino singular, assim como "tragédia" (feminino), enquanto "horizonte" é masculino. Além disso, a estrutura do período — "a tragédia da vida, a sua realidade" — é claramente uma aposição explicativa, em que "a sua realidade" retoma o sintagma anterior.

"introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência"

👉 O termo "horizonte" (masculino) é o sujeito da oração principal, mas o pronome "sua" está ligado à expressão "a tragédia da vida", que é o predicativo do sujeito. Portanto, a afirmação de que "sua" se refere a "horizonte" é falsa.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o referente de um pronome, verifique a concordância (gênero e número) e a estrutura sintática do período. Aqui, o artigo feminino "a" antes de "sua" já aponta para um antecedente feminino.

Gabarito: ERRADO.

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