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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce165917
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
FUB
Ano
2023
Nível
Médio
        Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer. 

Christian Dunker e Cláudio Thebas.
O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas.
São Paulo: Planeta do Brasil, 2019, p. 30-1 (com adaptações). 
Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.De acordo com o texto, a atuação do palhaço provoca uma amplificação, uma intensificação das mazelas intrínsecas à vida.
  1. CCerto
  2. EErrado
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Atuação do palhaço: amplificação das mazelas?

Gabarito: ❌ ERRADO. A afirmação de que a atuação do palhaço provoca uma amplificação ou intensificação das mazelas intrínsecas à vida não encontra respaldo no texto. Ao contrário, o texto defende que o palhaço busca amenizar a dor por meio do afeto e do humor, e que seu trabalho é uma inversão de sentido da tragédia, não uma intensificação.

O texto afirma:

"milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas."

E complementa:

"O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela."

O exagero recai sobre as deformações que criamos — nossas distorções, não sobre as mazelas em si. As mazelas (tragédia, miséria) são o horizonte da escuta, mas o palhaço as inverte de sentido, não as amplifica. A afirmativa troca o objeto do exagero: em vez de "deformações que criamos", diz "mazelas intrínsecas à vida", o que é uma paráfrase infiel.

Análise detalhada:

  • O texto menciona que a comédia é um tratamento para a tragédia, "que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido". Inversão não é amplificação; é ressignificação.

  • A atuação do palhaço busca escutar o que realmente é dito, sem distorções, e não intensificar o sofrimento.

Portanto, a alternativa ERRADA é a que afirma haver amplificação/intensificação. O correto seria dizer que o palhaço exagera as distorções humanas para mostrar a verdade, mas com o objetivo de aliviar o sofrimento.

Conclusão:ERRADO. O texto não sustenta a ideia de que o palhaço intensifica as mazelas; ele as aborda de forma a amenizá-las e ressignificá-las.

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