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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce165944
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-RO
Ano
2023
Nível
Superior
Texto CG1A1-I

       No Brasil os nomes das línguas correspondem, na maioria dos casos, aos nomes atribuídos aos respectivos povos: por exemplo, o povo xavante fala a língua xavante. São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua. Há o povo fulniô, cuja língua é o iatê.

          Existem, nestes primeiros anos do século XXI, vários povos bilíngues que convivem com a língua indígena e a portuguesa, mas em outros o português predomina como língua materna das crianças. Ainda se tem muito pouco conhecimento de situações específicas de bilinguismo com o português, e será muito difícil para o recenseador obter informação fidedigna: a informação será mais confiável se obtida dos pais; menos confiável quando for proveniente de líderes ou de administradores; e menos segura ainda no caso de ser obtida por amostragem.

           Há relatos de povos com população considerável distribuída por diversas aldeias. Por outro lado, a situação de uso da língua portuguesa pode variar consideravelmente de uma aldeia para outra, como no caso dos bororos, em Mato Grosso, ou dos baniuas, no Amazonas.

          Existem casos de bilinguismo ou de multilinguismo com duas ou mais línguas indígenas faladas pelas mesmas pessoas, como acontece entre os vários povos da família linguística (e cultural) tucano, a noroeste do Amazonas: atualmente estão presentes o português e(ou) o espanhol, além da língua geral amazônica. Por outro lado, conhece-se pouco acerca do grau de presença dessas diversas línguas nas respectivas comunidades.

            Uma situação única, característica hoje da região do alto rio Negro e seus afluentes, é a persistência do uso da língua geral amazônica (também conhecida como nheengatu), que se concebe hoje como língua franca de comunicação entre grande parte dos indígenas dessa comunidade com os de outra etnia. Contudo, converteu-se na língua materna do grande povo baré (com cerca de 10.300 pessoas), nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e de Santa Isabel do Rio Negro; também o é de grande parte do povo baniua, situado no baixo rio Içana e no médio rio Negro (município de São Gabriel da Cachoeira).

Aryon Dall’Igna Rodrigues. Línguas indígenas brasileiras. Brasília: Laboratório de Línguas Indígenas da UnB, 2013 (com adaptações).  
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita na qual são unidos o segundo e o terceiro períodos do primeiro parágrafo do texto CG1A1-I. Assinale a opção em que a proposta apresentada é gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto.
  1. ASão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, como é a situação do povo fulniô, cuja língua é o iatê.
  2. BSão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, havendo, entretanto o caso do povo fulniô cuja língua é chamada iatê.
  3. CSão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua: à exemplo do povo fulniô, cuja língua chama-se o iatê.
  4. DSão raros os casos em se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, portanto temos o caso do povo fulniô, cuja língua é iatê.
  5. ESão raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, uma vez que temos o povo fulniô, cuja língua é iatê.
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GabaritoA — São raros os casos em que se fixou, na literatura especializada ou no uso geral, um nome distinto para a língua, como é a situação do povo fulniô, cuja língua é o iatê.

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Reescrita com coesão e coerência

Gabarito: letra A. A questão pede uma reescrita gramaticalmente correta e coerente com as ideias do texto, unindo o segundo e o terceiro períodos do primeiro parágrafo. O segundo período afirma que são raros os casos em que a língua tem nome distinto do povo; o terceiro exemplifica: "Há o povo fulniô, cuja língua é o iatê". A relação é de exemplificação, não de causa, consequência ou oposição. A única alternativa que mantém essa relação, sem erros gramaticais, é a A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"São raros os casos em que se fixou... um nome distinto para a língua, como é a situação do povo fulniô, cuja língua é o iatê."

A expressão "como é a situação" introduz um exemplo de forma clara e adequada. A gramática está perfeita: uso do pronome relativo "cuja" concordando com "língua", presença do artigo "o" antes de "iatê" (como no original), e pontuação correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"...havendo, entretanto o caso do povo fulniô..."

O conectivo "entretanto" indica oposição, mas o texto não estabelece contraste — o povo fulniô é um dos raros casos, não uma exceção à regra. Além disso, a pontuação após "entretanto" está inadequada (falta vírgula). Erro de coerência (conectivo inadequado) e gramática (pontuação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"...à exemplo do povo fulniô..."

Há erro de crase: "a exemplo" (sem acento) é a forma correta, pois "exemplo" é palavra masculina. Também "chama-se o iatê" é estranho; o verbo "chamar-se" normalmente dispensa artigo. Erro gramatical (crase e regência).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"...em se fixou... portanto temos o caso..."

Falta a preposição "que" ("em que se fixou") — erro de estrutura relativa. O conectivo "portanto" indica conclusão, mas o trecho não é consequência do anterior; é um exemplo. Erro gramatical (falta do relativo) e de coerência (conectivo inadequado).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"...uma vez que temos o povo fulniô..."

"Uma vez que" tem valor causal ("porque"). A relação correta é de exemplificação, não de causa. O fato de existir o povo fulniô não é a razão pela qual os casos são raros. Erro de coerência (relação causal inadequada).

Conclusão: Apenas a alternativa A preserva o sentido original (exemplificação) e obedece à norma culta, sendo a reescrita correta.

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