Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — CESPE / CEBRASPE 2023
- Código
- ce166072
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- POLC-AL
- Ano
- 2023
- Nível
- Superior
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: nos pareceres médico-legais, as partes mais importantes são, de fato, a discussão e a conclusão. Isso porque é nelas que o perito analisa criticamente os achados, confronta-os com a literatura e com os quesitos formulados, e apresenta a resposta fundamentada que orientará a decisão da autoridade competente. A estrutura do parecer segue a lógica de um documento técnico-científico, e a doutrina de medicina legal (como a de Hygino Hercules, Genival Veloso de França e outros) destaca que a discussão e a conclusão são o núcleo do documento, pois é ali que se materializa o raciocínio pericial.
O parecer médico-legal é um documento elaborado pelo perito para responder a quesitos formulados por autoridade competente (juiz, delegado, etc.). Ele se estrutura em partes clássicas: preâmbulo (identificação do perito, do periciando, do objeto da perícia), histórico (relato do que foi observado), descrição (exame físico, exames complementares), discussão (análise crítica dos achados, confronto com a literatura e com os quesitos) e conclusão (resposta objetiva aos quesitos). A discussão é o momento em que o perito demonstra o raciocínio técnico-científico que o levou às conclusões; a conclusão, por sua vez, é a resposta direta e objetiva aos quesitos, sendo a parte que efetivamente subsidia a decisão da autoridade. Por isso, ambas são consideradas as mais importantes: sem uma discussão sólida, a conclusão carece de fundamentação; sem uma conclusão clara, a discussão perde o propósito.
Na prática, imagine um laudo pericial em que o perito descreve minuciosamente as lesões encontradas, mas na discussão não analisa se elas são compatíveis com a dinâmica do acidente narrado, e na conclusão apenas repete a descrição. Esse parecer seria tecnicamente deficiente, pois não respondeu aos quesitos de forma fundamentada. A autoridade que solicitou a perícia precisa saber, por exemplo, se a lesão foi produzida por instrumento contundente, se é compatível com a queda relatada, qual o nexo causal — e isso só é possível com uma discussão aprofundada e uma conclusão objetiva.
A distinção que importa aqui é entre o parecer e o laudo pericial. O laudo é o relatório completo da perícia, com todas as suas partes; o parecer é a opinião técnica do perito sobre os quesitos, e pode ser parte do laudo ou um documento autônomo. Em ambos, a discussão e a conclusão são o coração do documento, pois é nelas que o perito exerce seu juízo técnico. A banca explora exatamente essa noção: o candidato pode achar que a descrição (ou o histórico) é a parte mais importante, por ser a mais extensa, mas a doutrina é pacífica em apontar a discussão e a conclusão como o núcleo decisivo.
Guarde o critério: o que torna um parecer médico-legal útil é a capacidade de responder aos quesitos com fundamentação técnica. Isso se dá na discussão (análise) e na conclusão (resposta). É exatamente esse critério que a questão cobra.
A afirmativa está correta. A doutrina de medicina legal é unânime em considerar a discussão e a conclusão como as partes mais importantes dos pareceres médico-legais. A discussão é onde o perito analisa criticamente os achados, estabelece relações de causalidade, confronta com a literatura e com os quesitos; a conclusão é a resposta objetiva e fundamentada aos quesitos, que subsidia a decisão da autoridade. As demais partes (preâmbulo, histórico, descrição) são importantes, mas servem de suporte para a discussão e a conclusão. Portanto, o item está CERTO.
Gabarito: CERTO
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