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Questão de Português — Funções morfossintáticas da palavra QUE — CESPE / CEBRASPE 2023

PortuguêsFunções morfossintáticas da palavra QUE
Código
ce166445
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TBG
Ano
2023
Nível
Médio

Texto CB3A1-II


          Foi só a OpenAI lançar, em novembro de 2022, o ChatGPT, a versão 3.5 conversacional e acessível a todos, para que os especialistas em comunicação, matemática, computação, lógica, linguística, tecnologia da informação etc. começassem a se preocupar com os danos da inteligência artificial (IA) generativa. Essa diz respeito a um dos tipos da IA de nível narrow, ou seja, compartimentada e (ainda) limitada.

          Apesar do cipoal de estudos e opiniões apresentados sobre a inovação tecnológica baseada em dados inseridos na sociedade das plataformas, até hoje vemos lives em que moderadores perguntam o que é e como funciona o ChatGPT. Vale destacar: por “dados”, devemos considerar informações obtidas de determinado período no passado, com o intuito de prever efeitos no futuro. 

          Obviamente, internautas que estão a par do que se trata e já experimentaram ao menos uma pergunta ao robô simpático em eterno plantão torcem o nariz, pois já sabem o básico: querem mais. Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas e constatam que é imprescindível aguçar e explorar ao máximo a intencionalidade em face da IA. Como isso é possível? Ao fazer perguntas de elevada qualidade — preferencialmente, advindas de um pensamento crítico — no proveito de se produzir um bom objeto de análise. Ainda, fazê-lo de forma contextualizada, sinalizando-se para qual finalidade, determinado público etc., de modo a obter respostas mais refinadas em tempo real.


Magaly Prado. O poder da inteligência artificial no cruzamento entre ChatGPT e deepfakes. In: Jornal da USP, 31/jul./2023 (com adaptações). 

A respeito de aspectos gramaticais do texto CB3A1-II, julgue o item subsequente.No trecho “Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas” (segundo período do último parágrafo), a segunda vírgula tem a finalidade de marcar o sentido restritivo da oração iniciada pelo vocábulo “que”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função da vírgula e natureza do "que"

Gabarito: Errado (E). A segunda vírgula no trecho “Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas” não tem a finalidade de marcar o sentido restritivo da oração iniciada por “que”. A oração introduzida por “que” é uma oração subordinada substantiva objetiva direta (completa o verbo “sabem”), e não uma oração adjetiva (que seria introduzida por pronome relativo). O “que” é conjunção integrante, não pronome relativo. A vírgula após “inclusive” isola esse adjunto adverbial intercalado (equivale a “além disso”), e não tem relação com valor restritivo ou explicativo.

Trecho original: “Eles sabem, inclusive, que somos cada vez mais usados pelas máquinas”

Observe a estrutura sintática:

  • Sujeito: “Eles”

  • Verbo transitivo direto: “sabem”

  • Objeto direto: a oração “que somos cada vez mais usados pelas máquinas” (conjunção integrante + oração subordinada substantiva)

  • Adjunto adverbial intercalado: “inclusive”

A segunda vírgula (depois de “inclusive”) serve apenas para isolar o termo intercalado, e não para marcar restrição de uma oração adjetiva, pois sequer há oração adjetiva no período. Portanto, a afirmativa está incorreta.

  1. 1Identificar o 'que'
  2. 2É conjunção integrante?
  3. 3Oração subordinada substantiva
  4. 4Vírgula isola adjunto adverbial
  5. 5[-] Não há oração adjetiva
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ✅ ERRADO

A afirmação é falsa porque:

  • A oração iniciada por “que” não é adjetiva, logo não há que se falar em valor restritivo ou explicativo.

  • A vírgula tem função de isolar o adjunto adverbial “inclusive” (intercalação), e não de marcar restrição.

  • A palavra “que” é conjunção integrante, não pronome relativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre pontuação do “que”, identifique primeiro a classe gramatical: se for pronome relativo, pode haver vírgula para oração explicativa; se for conjunção, a vírgula não marca restrição/explicação.

Pegadinha: A banca tenta confundir o candidato insinuando que o “que” é pronome relativo e que a vírgula separa uma oração adjetiva restritiva. Na verdade, o “que” é conjunção integrante e a vírgula intercala o advérbio “inclusive”.

Conclusão: Item ERRADO.

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