Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Microbiologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce167976
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- ANVISA
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Especialista em Regulação e Vigilância Sanitária - Área 3
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: ✅ CERTO. A PCR em tempo real (qPCR) é uma técnica de biologia molecular amplamente utilizada para detectar e quantificar sequências específicas de DNA, incluindo genes de resistência bacteriana como o gene mecA, responsável pela resistência à meticilina em Staphylococcus aureus (MRSA). A afirmação está correta, pois a técnica permite identificar a presença desses genes diretamente nas cepas isoladas, complementando os métodos fenotípicos tradicionais.
A resistência à meticilina em S. aureus é mediada principalmente pelo gene mecA, que codifica uma proteína ligadora de penicilina alterada (PBP2a) com baixa afinidade pelos antibióticos β-lactâmicos. A PCR em tempo real detecta esse gene amplificando uma região específica do DNA bacteriano, utilizando primers e sondas fluorescentes que permitem monitorar a amplificação em tempo real. Essa abordagem molecular é mais rápida e sensível que os métodos fenotípicos, como o teste de disco-difusão ou a determinação da concentração inibitória mínima (CIM), que dependem do crescimento bacteriano e podem levar de 24 a 48 horas.
Na prática, a equipe de microbiologia clínica pode extrair o DNA das cepas de MRSA isoladas e submetê-lo à qPCR com primers específicos para o gene mecA. A presença de amplificação indica que a cepa carrega o gene de resistência, confirmando o fenótipo MRSA. Além disso, a qPCR pode ser multiplexada para detectar simultaneamente outros genes de resistência, como vanA (resistência à vancomicina) e erm (resistência a macrolídeos), fornecendo um perfil genético completo do isolado.
É importante distinguir a detecção genotípica (PCR) da detecção fenotípica (testes de sensibilidade). Enquanto a PCR identifica a presença do gene, os testes fenotípicos avaliam a expressão da resistência em termos de crescimento bacteriano na presença do antibiótico. Ambas as abordagens são complementares: a PCR é útil para confirmação rápida e para detectar resistência em amostras de difícil cultivo, enquanto os testes fenotípicos fornecem dados clínicos sobre a eficácia do antibiótico.
A banca explora a confusão entre os métodos de detecção de resistência. O candidato pode pensar que a PCR não é aplicável na rotina de microbiologia clínica, mas ela é, de fato, uma ferramenta valiosa para a detecção de genes de resistência, especialmente em surtos hospitalares, onde a rapidez é crucial para o controle da infecção. A questão é direta e não apresenta armadilha sutil, apenas exige o conhecimento de que a biologia molecular é uma aliada na investigação de resistência bacteriana.
A afirmação está correta. A PCR em tempo real é uma técnica consolidada para a detecção de genes de resistência em bactérias, incluindo o gene mecA em MRSA. O contexto da Anvisa menciona que a detecção dos genes van por PCR é um método confirmatório para resistência à vancomicina em enterococos, demonstrando que a PCR é uma ferramenta reconhecida na microbiologia clínica para identificar mecanismos de resistência. Além disso, o gene mecA é o principal marcador molecular de MRSA, e sua detecção por PCR é amplamente descrita na literatura e em protocolos laboratoriais.
Gabarito: ✅ CERTO
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