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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce168843
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAGEPA - PB
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
Com relação ao uso de álcool e aos problemas mentais relacionados a esse uso, assinale a opção correta.
  1. AMedicamentos raramente previnem a recaída depois da retirada do álcool.
  2. BSão sinais da síndrome de abstinência de álcool: tremor de mãos; sudorese; vômito; pulso e pressão arterial diminuídos.
  3. CO profissional deve demonstrar surpresa caso o paciente esboce prazer ao consumir álcool.
  4. DSe a abstinência causar convulsão, para a prevenção de futuras convulsões é recomendado que o paciente seja tratado apenas com anticonvulsivantes.
  5. ENistagmo, ataxia e oftalmoplegia são sinais da encefalopatia de Wernicke.
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GabaritoE — Nistagmo, ataxia e oftalmoplegia são sinais da encefalopatia de Wernicke.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transtorno por uso de álcool: síndrome de abstinência e encefalopatia de Wernicke

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que descreve a tríade clássica da encefalopatia de Wernicke — nistagmo, ataxia e oftalmoplegia —, uma emergência neurológica causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1), frequentemente associada ao alcoolismo crônico. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a síndrome de abstinência alcoólica, o manejo farmacológico e a postura profissional diante do paciente.

A questão aborda o transtorno por uso de álcool (TUA), que, segundo o DSM-5, é caracterizado por um padrão problemático de uso que leva a comprometimento ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por pelo menos dois de onze critérios em um período de 12 meses. O TUA é classificado em leve (2 a 3 critérios), moderado (4 a 5 critérios) e grave (6 ou mais critérios). A síndrome de abstinência é um dos critérios diagnósticos e ocorre quando há uma queda nos níveis de álcool no sangue em pacientes com uso crônico e intenso.

A síndrome de abstinência alcoólica (SAA) manifesta-se com sinais e sintomas que surgem tipicamente cerca de 6 horas após a diminuição ou interrupção do uso. Os primeiros sintomas incluem tremores, ansiedade, insônia, náuseas e inquietação. Em casos mais graves, podem ocorrer febre baixa, taquipneia, tremores intensos, sudorese profusa, alucinações transitórias e agitação psicomotora. As convulsões podem se desenvolver entre 12 e 24 horas após a última ingestão em cerca de 5% dos pacientes não tratados. O delirium tremens é uma complicação grave, com risco de vida, que costuma se manifestar nas primeiras 72 horas de abstinência, caracterizado por confusão mental, alucinações vívidas, tremores marcantes e hiperatividade autonômica.

O tratamento da SAA envolve medidas de suporte, reposição de eletrólitos e vitaminas (especialmente tiamina), e o uso de benzodiazepínicos como primeira linha para controlar os sintomas e prevenir complicações como convulsões e delirium. A escala CIWA-Ar é uma ferramenta útil para avaliar a gravidade da abstinência e guiar o tratamento. A prevenção de convulsões recorrentes é feita com benzodiazepínicos, e não apenas com anticonvulsivantes, que não são a primeira escolha nesse contexto.

A encefalopatia de Wernicke é uma emergência médica causada pela deficiência de tiamina, comum em pacientes com alcoolismo crônico devido à má absorção e à dieta inadequada. A tríade clássica é composta por nistagmo (movimentos oculares involuntários), ataxia (incoordenação motora) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares). O tratamento imediato com tiamina intravenosa é essencial para prevenir a progressão para a síndrome de Korsakoff, uma condição crônica e irreversível caracterizada por amnésia e confabulação.

A banca explora a confusão entre os sinais da síndrome de abstinência e os da encefalopatia de Wernicke, além de testar o conhecimento sobre o manejo farmacológico e a postura ética do profissional. É fundamental distinguir os sintomas autonômicos da abstinência (tremores, sudorese, taquicardia, hipertensão) dos sinais neurológicos focais da encefalopatia de Wernicke (nistagmo, ataxia, oftalmoplegia).

Característica

Síndrome de Abstinência Alcoólica (SAA)

Encefalopatia de Wernicke

Fisiopatologia

Hiperexcitação autonômica (rebote)

Deficiência de tiamina (B1)

Sinais clássicos

Tremores, sudorese, taquicardia, hipertensão, vômitos

Nistagmo, ataxia, oftalmoplegia

Início

~6h após a última ingestão

Variável, associado ao alcoolismo crônico

Tratamento de primeira linha

Benzodiazepínicos (ex.: CIWA-Ar)

Tiamina intravenosa imediata

Complicação grave

Delirium tremens

Síndrome de Korsakoff (irreversível)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que medicamentos raramente previnem a recaída após a retirada do álcool é falsa. Existem medicamentos eficazes na prevenção de recaídas, como a naltrexona, o acamprosato e o dissulfiram, que são utilizados como parte do tratamento do TUA. A naltrexona reduz a fissura e o prazer associado ao consumo, o acamprosato ajuda a estabilizar o equilíbrio químico cerebral, e o dissulfiram causa uma reação aversiva quando o álcool é consumido. Portanto, a farmacoterapia é uma ferramenta importante na prevenção de recaídas, embora deva ser combinada com intervenções psicossociais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa apresenta um erro ao afirmar que a síndrome de abstinência alcoólica causa pulso e pressão arterial diminuídos. Na verdade, a abstinência alcoólica é caracterizada por hiperatividade autonômica, resultando em taquicardia (pulso aumentado) e hipertensão arterial (pressão aumentada). Os sinais corretos incluem tremor de mãos, sudorese, vômito, taquicardia e hipertensão. A banca inverteu o efeito autonômico, que é de excitação, não de depressão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que o profissional deve demonstrar surpresa caso o paciente esboce prazer ao consumir álcool é incorreta. A postura adequada do profissional de saúde é de acolhimento, empatia e não julgamento. O prazer associado ao consumo de álcool é um aspecto esperado do transtorno, e o profissional deve abordar o paciente de forma respeitosa, sem demonstrar surpresa ou reprovação, para estabelecer uma relação terapêutica eficaz. A demonstração de surpresa poderia prejudicar a aliança terapêutica e afastar o paciente do tratamento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que, se a abstinência causar convulsão, o paciente deve ser tratado apenas com anticonvulsivantes para prevenção de futuras convulsões é incorreta. O tratamento de primeira linha para a prevenção de convulsões na síndrome de abstinência alcoólica é o uso de benzodiazepínicos, que são eficazes tanto no controle dos sintomas quanto na prevenção de convulsões e delirium. Os anticonvulsivantes, como a fenitoína, não são a primeira escolha nesse contexto, pois não tratam a causa subjacente da hiperexcitabilidade neuronal causada pela abstinência alcoólica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que nistagmo, ataxia e oftalmoplegia são sinais da encefalopatia de Wernicke. Essa é a tríade clássica da doença, causada pela deficiência de tiamina (vitamina B1), comum em pacientes com alcoolismo crônico. O nistagmo é um movimento ocular involuntário e rítmico, a ataxia é a incoordenação motora que afeta a marcha e os membros, e a oftalmoplegia é a paralisia dos músculos oculares, que pode causar diplopia (visão dupla). O reconhecimento precoce e o tratamento imediato com tiamina intravenosa são cruciais para prevenir a progressão para a síndrome de Korsakoff, uma condição neuropsiquiátrica crônica e irreversível.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir os sinais da síndrome de abstinência alcoólica (tremores, sudorese, taquicardia, hipertensão) com os da encefalopatia de Wernicke (nistagmo, ataxia, oftalmoplegia). Na alternativa B, ela inverte o efeito autonômico, dizendo que o pulso e a pressão estão diminuídos, quando na verdade estão aumentados. Na alternativa D, ela troca a primeira linha de tratamento para prevenção de convulsões (benzodiazepínicos) por anticonvulsivantes. Fique atento a essas inversões clássicas!

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar a síndrome de abstinência alcoólica da encefalopatia de Wernicke, lembre-se: a abstinência é um estado de hiperexcitação autonômica (taquicardia, hipertensão, tremores, sudorese), enquanto a encefalopatia de Wernicke é uma síndrome neurológica focal (nistagmo, ataxia, oftalmoplegia) causada por deficiência de tiamina. Na prova, se a alternativa mencionar sinais neurológicos focais, pense em Wernicke; se mencionar sintomas autonômicos, pense em abstinência.

Gabarito: letra E

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