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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce168848
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAGEPA - PB
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
José, que trabalha em uma indústria onde é exposto a ruído constante e intermitente, vem apresentando perda auditiva bilateral nos últimos anos, tendo sido diagnosticado com PAIR.Nessa situação hipotética,
  1. Aa exposição intermitente ao ruído tende a ser mais prejudicial que a constante.
  2. Bo quadro de José tenderá a melhorar se ele deixar de ser exposto ao ruído.
  3. Ca causa mais provável para o quadro apresentado por José é a desarticulação dos ossículos da orelha média.
  4. Despera-se que a perda auditiva de José não supere 40dB(NA) nas frequências baixas e 75dB(NA) nas altas.
  5. Eé esperado que José apresente maior sensibilidade ao ruído com a progressão da doença.
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GabaritoD — espera-se que a perda auditiva de José não supere 40dB(NA) nas frequências baixas e 75dB(NA) nas altas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)

Gabarito: letra D. A PAIR é uma perda auditiva neurossensorial, bilateral, simétrica e irreversível, que acomete inicialmente as frequências altas (4.000–6.000 Hz) e, com a progressão, pode atingir as frequências baixas. A alternativa D está correta ao afirmar que a perda auditiva de José não deve superar 40 dB(NA) nas frequências baixas e 75 dB(NA) nas altas, conforme os critérios diagnósticos estabelecidos para a PAIR.

A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) é uma doença ocupacional caracterizada pela diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a níveis elevados de ruído no ambiente de trabalho. É sempre neurossensorial, irreversível e passível de não progressão, uma vez cessada a exposição ao ruído. Isso significa que, ao contrário de outras causas de perda auditiva, a PAIR não tem cura e não melhora com o afastamento do agente nocivo — o que já elimina a alternativa B. A lesão ocorre nas células ciliadas da cóclea, no ouvido interno, e não na orelha média, o que afasta a alternativa C.

A PAIR tem características audiométricas bem definidas: é bilateral, simétrica, neurossensorial e irreversível. O padrão clássico é o entalhe audiométrico em 4.000 Hz, que se aprofunda e se alarga com a progressão da doença, atingindo frequências mais altas e, posteriormente, as mais baixas. Os critérios diagnósticos da PAIR, conforme a legislação previdenciária e as normas técnicas, estabelecem limites de perda auditiva para caracterização da doença: não superior a 40 dB(NA) nas frequências baixas (250, 500 e 1.000 Hz) e não superior a 75 dB(NA) nas frequências altas (3.000, 4.000 e 6.000 Hz). Esses limites são utilizados para diferenciar a PAIR de outras perdas auditivas e para fins de nexo causal e indenização.

A exposição ao ruído, seja constante ou intermitente, é prejudicial, mas a exposição contínua tende a ser mais lesiva que a intermitente, pois não permite períodos de recuperação das células ciliadas. A alternativa A inverte essa relação, afirmando que a exposição intermitente seria mais prejudicial — o que contraria a fisiopatologia da doença. Já a alternativa E afirma que haveria maior sensibilidade ao ruído com a progressão da doença, o que não é esperado: na verdade, com a progressão, há piora dos limiares auditivos, mas não aumento da sensibilidade ao ruído — o paciente tende a ter menor tolerância, mas o termo "sensibilidade" aqui é usado de forma incorreta, pois a PAIR não cursa com hiperacusia.

A alternativa D é a única que descreve corretamente os critérios audiométricos da PAIR, sendo o gabarito da questão. É importante destacar que esses limites são critérios diagnósticos e não significam que a perda auditiva não possa ultrapassar esses valores em casos avançados — mas, para o diagnóstico de PAIR, a perda deve se enquadrar nesses parâmetros.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as características da PAIR e de outras perdas auditivas. A alternativa C, por exemplo, troca a causa da PAIR (lesão coclear) pela desarticulação dos ossículos da orelha média, que é uma causa de perda auditiva condutiva, não neurossensorial. Já a alternativa E usa o termo "sensibilidade" de forma ambígua, levando o candidato a pensar que a progressão da doença aumenta a percepção ao ruído, quando na verdade o que ocorre é a piora dos limiares auditivos.

1Características
Neurossensorial
Bilateral e simétrica
Irreversível
Entalhe em 4.000 Hz
2Critérios audiométricos
Frequências baixas: até 40 dB(NA)
Frequências altas: até 75 dB(NA)
3Exposição ao ruído
Constante: mais lesiva
Intermitente: menos lesiva
4Evolução
Não melhora com afastamento
Não há hiperacusia
PAIR
LEVELsoulevel.com.br
PAIR: Características (Neurossensorial, Bilateral e simétrica, Irreversível, Entalhe em 4.000 Hz); Critérios audiométricos (Frequências baixas: até 40 dB(NA), Frequências altas: até 75 dB(NA)); Exposição ao ruído (Constante: mais lesiva, Intermitente: menos lesiva); Evolução (Não melhora com afastamento, Não há hiperacusia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A exposição intermitente ao ruído não tende a ser mais prejudicial que a constante. Na verdade, a exposição contínua é mais lesiva, pois não permite períodos de recuperação das células ciliadas da cóclea. A exposição intermitente, com pausas, permite certa recuperação temporária dos limiares auditivos, reduzindo o dano acumulado. A alternativa inverte a relação de nocividade entre os dois tipos de exposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A PAIR é uma perda auditiva neurossensorial e irreversível. Uma vez instalada, a perda auditiva não melhora com o afastamento do ruído — o que ocorre é apenas a não progressão do quadro, ou seja, a perda não piora se a exposição cessar, mas também não regride. A alternativa sugere que o quadro melhoraria, o que é fisiologicamente impossível, pois as células ciliadas da cóclea não se regeneram.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A causa da PAIR é a lesão das células ciliadas da cóclea, no ouvido interno, decorrente da exposição prolongada a ruído. A desarticulação dos ossículos da orelha média é uma causa de perda auditiva condutiva, geralmente traumática, e não se relaciona com a exposição ocupacional a ruído. A alternativa confunde o mecanismo fisiopatológico da PAIR com uma lesão da orelha média.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente os critérios audiométricos da PAIR: perda auditiva não superior a 40 dB(NA) nas frequências baixas (250, 500 e 1.000 Hz) e não superior a 75 dB(NA) nas frequências altas (3.000, 4.000 e 6.000 Hz). Esses limites são utilizados para o diagnóstico da PAIR, conforme os critérios estabelecidos pela legislação previdenciária e pelas normas técnicas de audiologia ocupacional. A perda auditiva na PAIR é neurossensorial, bilateral, simétrica e irreversível, com padrão de entalhe em 4.000 Hz.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Com a progressão da PAIR, o que se espera é a piora dos limiares auditivos, ou seja, aumento da perda auditiva, principalmente nas frequências altas. Não há aumento da sensibilidade ao ruído — o termo "sensibilidade" aqui é usado de forma incorreta, pois a PAIR não cursa com hiperacusia (aumento da sensibilidade auditiva). Na verdade, o paciente tende a ter menor tolerância ao ruído, mas isso não é uma característica da doença, e sim uma consequência da perda auditiva.

Gabarito: letra D

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