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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
ce168854
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAGEPA - PB
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico do Trabalho
Um jovem sedentário com 23 anos de idade foi atendido na emergência devido à perda súbita da consciência havia uma hora. Ele relatou dois episódios de síncope prévios havia um mês. Em todas as vezes, a perda da consciência ocorreu durante uma rápida corrida para atravessar a rua, sem pródromos ou liberação esfincteriana. Houve rápido restabelecimento do nível de consciência e sem período pós-ictal. Na chegada, o paciente estava hemodinamicamente normal e apresentava sopro sistólico na borda esternal esquerda, sem outras anormalidades significativas. A glicemia capilar foi normal, porém o eletrocardiograma mostrou hipertrofia ventricular esquerda e inversão da onda T nas derivações esquerdas.Em face desse quadro clínico, assinale a opção que apresenta a conduta imediata apropriada para o paciente em questão.
  1. AInvestigar hipoglicemia.
  2. BAssegurar ao paciente tratar-se de condição benigna.
  3. CManter o paciente em observação e solicitar um ecocardiograma com doppler colorido.
  4. DSolicitar um tilt-test e sugerir retorno ambulatorial.
  5. EPrescrever lamotrigina e encaminhar o paciente a um neurologista.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Manter o paciente em observação e solicitar um ecocardiograma com doppler colorido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síncope em jovem: cardiopatia estrutural como causa

Gabarito: letra C. O quadro é de síncope de esforço em jovem, com sopro sistólico na borda esternal esquerda e ECG com hipertrofia ventricular esquerda e inversão de onda T — o conjunto aponta fortemente para cardiopatia estrutural, mais provavelmente cardiomiopatia hipertrófica (CMH). A conduta imediata é manter o paciente em observação e solicitar ecocardiograma com Doppler colorido para confirmar o diagnóstico e avaliar risco de morte súbita. As demais opções ignoram o dado cardiológico central e propõem investigações inadequadas ou condutas perigosas.

A síncope é a perda transitória da consciência por hipoperfusão cerebral global, de início rápido, duração curta e recuperação espontânea. No jovem, as causas mais temidas são as cardíacas — arritmias e obstruções ao fluxo — porque podem levar à morte súbita. A síncope de esforço é um sinal de alarme clássico: durante o exercício, a demanda de oxigênio aumenta e, se há obstrução dinâmica (como na CMH) ou arritmia induzida por catecolaminas, o débito cardíaco cai e o cérebro é privado de sangue. A ausência de pródromos e de liberação esfincteriana, com recuperação rápida e sem confusão pós-ictal, afasta crise convulsiva e aponta para síncope verdadeira.

O exame físico e o ECG fornecem as pistas decisivas. O sopro sistólico na borda esternal esquerda é típico de estenose aórtica ou cardiomiopatia hipertrófica — na CMH, o sopro é de ejeção, localizado entre o foco aórtico e o mitral, e frequentemente acompanhado de hipertrofia ventricular esquerda no ECG, com ondas Q anormais e inversão de onda T nas derivações esquerdas. A tríade síncope de esforço + sopro + ECG alterado em jovem é praticamente patognomônica de CMH até prova em contrário. O ecocardiograma com Doppler é o exame de escolha para confirmar a hipertrofia assimétrica, avaliar a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo e o gradiente de pressão — informações essenciais para estratificar o risco de morte súbita e orientar o tratamento.

A conduta imediata não é apenas "observar": é manter o paciente monitorado, em repouso, e realizar o ecocardiograma ainda na emergência ou em caráter de urgência. Isso porque o risco de novo evento — inclusive morte súbita — é real, e o paciente não deve ser liberado sem diagnóstico. A alternativa C captura exatamente essa necessidade: observação + ecocardiograma com Doppler colorido. As demais opções ou investigam causas improváveis (hipoglicemia, disautonomia) ou propõem condutas inadequadas (tranquilizar, tratar como epilepsia).

A pegadinha central desta questão é o diagnóstico diferencial da síncope: o candidato pode se fixar na hipoglicemia (glicemia capilar normal já a exclui) ou na epilepsia (ausência de pródromos, liberação esfincteriana e período pós-ictal afastam), mas o dado que manda é o cardiológico. A banca explora exatamente a tendência de subestimar a síncope em jovem como benigna (vasovagal, ortostática) quando há sinais de alarme. Guarde o critério: síncope de esforço + sopro + ECG alterado = cardiopatia estrutural até prova em contrário, e o ecocardiograma é o exame que decide.

1Sinais de alarme
Síncope de esforço
Sopro sistólico (borda esternal esquerda)
ECG: hipertrofia VE + inversão de onda T
2Diagnóstico provável
Cardiomiopatia hipertrófica
3Conduta imediata
Observação monitorada
Ecocardiograma com Doppler
4Diagnósticos afastados
Hipoglicemia (glicemia normal)
Epilepsia (sem pródromos/pós-ictal)
Síncope em jovem
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Síncope em jovem: Sinais de alarme (Síncope de esforço, Sopro sistólico (borda esternal esquerda), ECG: hipertrofia VE + inversão de onda T); Diagnóstico provável (Cardiomiopatia hipertrófica); Conduta imediata (Observação monitorada, Ecocardiograma com Doppler); Diagnósticos afastados (Hipoglicemia (glicemia normal), Epilepsia (sem pródromos/pós-ictal))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Investigar hipoglicemia é descabido: a glicemia capilar foi normal no momento do atendimento, e a hipoglicemia não explica o sopro sistólico nem as alterações eletrocardiográficas. A síncope por hipoglicemia costuma ter pródromos (sudorese, tremor, fome) e não é desencadeada especificamente por esforço. O erro aqui é ignorar os sinais cardiológicos e seguir uma pista já descartada pelo exame.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Assegurar que se trata de condição benigna é um erro grave e potencialmente fatal. Síncope de esforço em jovem com sopro e ECG alterado é um sinal de alarme para cardiopatia estrutural com risco de morte súbita — a CMH é a principal causa de morte súbita em atletas jovens. Tranquilizar o paciente sem investigação é negligência. A conduta correta é exatamente o oposto: manter em observação e investigar.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Manter o paciente em observação e solicitar ecocardiograma com Doppler colorido é a conduta imediata apropriada. O ecocardiograma é o exame de escolha para avaliar cardiopatia estrutural — confirma ou afasta a CMH, avalia a obstrução da via de saída, o gradiente e a função ventricular. A observação permite monitorar o paciente enquanto o diagnóstico é feito, prevenindo novo evento. Esta alternativa amarra todos os dados do caso: síncope de esforço, sopro sistólico e ECG com hipertrofia ventricular esquerda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tilt-test é indicado para investigar síncope vasovagal ou disautonômica, não síncope de esforço com sinais de cardiopatia estrutural. Solicitar tilt-test e sugerir retorno ambulatorial é inadequado porque (1) o exame não avalia cardiopatia estrutural e (2) liberar o paciente sem investigação cardiológica imediata expõe ao risco de novo evento. A síncope de esforço exige investigação cardiológica na emergência, não avaliação ambulatorial de disautonomia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Prescrever lamotrigina e encaminhar a um neurologista trata o quadro como epilepsia, o que é um erro diagnóstico. A ausência de pródromos, de liberação esfincteriana e de período pós-ictal, com recuperação rápida e completa, é típica de síncope, não de crise convulsiva. Além disso, o sopro sistólico e o ECG alterado apontam claramente para causa cardíaca. A lamotrigina é um anticonvulsivante e não tem indicação aqui; o encaminhamento correto é para cardiologia, com ecocardiograma.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora o diagnóstico diferencial da síncope em jovem. O candidato pode cair na hipoglicemia (mas a glicemia já foi normal) ou na epilepsia (mas não há pródromos, liberação esfincteriana nem pós-ictal). O dado que manda é o cardiológico: síncope de esforço + sopro sistólico na borda esternal esquerda + ECG com hipertrofia ventricular esquerda e inversão de onda T = cardiomiopatia hipertrófica até prova em contrário. O ecocardiograma é o exame que decide — e a observação é obrigatória pelo risco de morte súbita. Com treino, você enxerga esses sinais de alarme de longe 💪

Gabarito: letra C

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