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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce170765
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CNJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área Judiciária
    O senso comum é acumulado ao longo da vida de cada um de nós e acaba sendo transmitido de geração em geração. É um tipo de conhecimento não científico, formado pelas nossas impressões subjetivas sobre o mundo, fruto das nossas experiências pessoais.

    Embora esse seja um tipo de conhecimento popular e prático que nos orienta no dia a dia, por não ser testado, verificado ou analisado por uma metodologia científica, permanece um alto grau de incerteza sobre a sua validade, ou seja, é um conhecimento tradicionalmente bem aceito, que pode ou não estar correto ou em consonância com a realidade. Trata-se, contudo, apenas de um mito, assim como muitos outros ensinados e perpetuados pela força da tradição e da crença, tal qual afirma Tolstói em sua obra Uma confissão: “Sei que a maior parte dos homens raramente são capazes de aceitar as verdades mais simples e óbvias se essas os obrigarem a admitir a falsidade das conclusões que eles, orgulhosamente, ensinaram aos outros, e que teceram, fio por fio, trançando-as no tecido da própria vida.”. 

    É claro que a maioria das pessoas reconhece também que a ciência é importante e necessária, mas, ainda assim, temos dificuldade em abrir mão das nossas crenças e do nosso senso comum, mesmo quando necessário. Tendemos a nos manter fiéis àquilo que “testemunhamos com nossos próprios olhos”. 

    Confiar nos “nossos olhos” — na nossa percepção pessoal — é um processo natural e compreensível, uma vez que essa é a ferramenta com que somos equipados “de fábrica” e que nos ajudou a sobreviver até aqui ao longo da nossa evolução.


André Demambre Bacchi. Afinal, o que é ciência: ... E o que não é? São Paulo: Editora Contexto, 2024, p. 10-11 (com adaptações).
Julgue o item subsequente, referentes às características textuais e aos aspectos linguísticos do texto precedente, bem como às ideias nele veiculadas.No último parágrafo, a substituição do segmento “uma vez que” por de modo que preservaria as relações de sentido estabelecidas no período.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de 'uma vez que' por 'de modo que' no último parágrafo

ERRADO. A substituição altera a relação de sentido, pois 'uma vez que' expressa causa e 'de modo que' expressa consequência, o que não preserva a relação original.

Gabarito: Errado (E).

No último parágrafo do texto, lemos:

Confiar nos “nossos olhos” — na nossa percepção pessoal — é um processo natural e compreensível, uma vez que essa é a ferramenta com que somos equipados “de fábrica” e que nos ajudou a sobreviver até aqui ao longo da nossa evolução.

A locução 'uma vez que' estabelece uma relação causal: o fato de confiar nos olhos ser natural e compreensível tem como causa o fato de essa ferramenta ser inata e ter ajudado na sobrevivência. Já 'de modo que' introduz uma consequência ou um resultado, não uma causa. Exemplo: 'Choveu muito, de modo que a rua alagou' (consequência). Se substituíssemos no período original, teríamos: "Confiar nos olhos é compreensível, de modo que essa é a ferramenta..." — isso pareceria que a confiança causa a ferramenta, o que é ilógico e inverte o sentido do autor.

Portanto, a substituição não preserva as relações de sentido, tornando o item errado.

  1. 1Relação original: causa
  2. 2Nova relação: consequência
  3. 3Sentido alterado → Errado
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!

A banca troca um conectivo causal ('uma vez que') por um consecutivo ('de modo que'), explorando a semelhança superficial entre locuções de uso comum, mas com funções lógicas opostas.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de substituição de conectivos, identifique primeiro a relação lógica original (causa, consequência, condição, etc.) e verifique se a nova locução mantém a mesma relação. Se a relação mudar, a substituição está incorreta.

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