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Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2024

BiologiaEcologia e ciências ambientais
Código
ce172278
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CTI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Associado I - Especialidade: Saúde Avançada - Área de Atuação: Biossensores e Biofabricação
A respeito da tecnologia de biofabricação, emergente na área de geração de órgãos, julgue o item a seguir.A tecnologia vigente do processo de bioprodução permite que, após a fase de processamento, as estruturas recobertas pelas células, já maduras e diferenciadas, possam ser introduzidas nos tecidos hospedeiros, uma vez que os materiais utilizados não apresentam mais risco de serem reconhecidos como corpos estranhos pela cobertura biológica das células.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Biofabricação e imunogenicidade: o desafio da rejeição

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, mesmo após a fase de processamento e com as estruturas recobertas por células maduras e diferenciadas, os materiais utilizados na biofabricação ainda podem ser reconhecidos como corpos estranhos pelo sistema imunológico do hospedeiro, desencadeando resposta imune e rejeição. A cobertura celular não elimina por completo o risco de imunogenicidade, que é um dos principais desafios da engenharia de tecidos e da medicina regenerativa.

A biofabricação é uma área emergente que combina células, biomateriais e fatores de crescimento para criar estruturas biológicas funcionais, como órgãos e tecidos, com o objetivo de substituir ou reparar tecidos danificados. O processo envolve a semeadura de células em um suporte (scaffold) que fornece a arquitetura tridimensional adequada, seguida de maturação em biorreatores para que as células se diferenciem e formem o tecido desejado.

O ponto central da questão é a imunogenicidade dos biomateriais. Mesmo que as células recubram a estrutura, o material subjacente — que pode ser sintético (como polímeros) ou natural (como colágeno) — pode ser reconhecido pelo sistema imunológico do receptor como um corpo estranho. Isso ocorre porque o sistema imune é capaz de detectar moléculas não próprias, como certos polímeros ou proteínas de origem não humana, e montar uma resposta inflamatória que pode levar à rejeição do enxerto. A cobertura celular pode reduzir, mas não eliminar, esse risco, especialmente se as células não forem totalmente compatíveis ou se o material exposto em alguma região da estrutura.

Além disso, mesmo células maduras e diferenciadas podem expressar antígenos que são reconhecidos como estranhos se não forem do próprio paciente (células alogênicas ou xenogênicas). A imunossupressão ou o uso de células autólogas (do próprio paciente) são estratégias para minimizar a rejeição, mas a afirmação de que "não apresentam mais risco" é categórica demais e não reflete a realidade da tecnologia atual.

Portanto, a afirmativa erra ao afirmar que não há mais risco de reconhecimento como corpo estranho. A biofabricação ainda enfrenta o desafio da imunogenicidade, e a introdução de estruturas biofabricadas em tecidos hospedeiros requer cuidados para evitar a rejeição.

  1. 1Semeadura de células no scaffold
  2. 2Maturação em biorreator
  3. 3Diferenciação celular
  4. 4Introdução no hospedeiro
  5. 5[-] Risco de rejeição persiste
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Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A alternativa está errada porque a tecnologia vigente de biofabricação não elimina o risco de os materiais serem reconhecidos como corpos estranhos pelo sistema imunológico. A cobertura celular pode atenuar a resposta imune, mas não a elimina por completo. O reconhecimento imunológico depende de diversos fatores, como a natureza do biomaterial, a origem das células e a compatibilidade com o hospedeiro. Portanto, a afirmação de que "não apresentam mais risco" é incorreta.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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