Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2024
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
ce172285
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CTI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Associado I - Especialidade: Saúde Avançada - Área de Atuação: Biossensores e Biofabricação
Internet: <https://lactec.com.br>.
Tendo em vista a imagem precedente, que representa os resultados obtidos em um ensaio do cometa, o qual funciona como um biomarcador de dano no DNA, julgue o seguinte item, a respeito desse ensaio e de suas aplicações.A técnica do cometa é restrita a células de mamíferos, não sendo aplicável a outros tipos celulares.
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Ensaio do cometa: aplicabilidade a diferentes tipos celulares
Gabarito: ✅ ERRADO. A técnica do cometa (eletroforese em gel de células isoladas) não é restrita a células de mamíferos; ela é amplamente aplicável a diversos tipos celulares, incluindo células vegetais, de peixes, de anfíbios, de insetos e até microrganismos, desde que se obtenha uma suspensão de células ou núcleos intactos. A afirmação do item, portanto, contraria o princípio fundamental do ensaio, que é a detecção de danos no DNA em qualquer célula nucleada.
O ensaio do cometa, também conhecido como eletroforese em gel de célula única (SCGE – Single Cell Gel Electrophoresis), é um biomarcador de genotoxicidade que detecta quebras de fita simples e dupla no DNA. O princípio é simples: células embebidas em agarose são lisadas, submetidas à eletroforese em condições alcalinas (ou neutras) e coradas com um fluorocromo. Células com DNA íntegro mantêm o DNA superenovelado, formando um "núcleo" compacto; células com dano apresentam fragmentos de DNA que migram em direção ao ânodo, formando uma "cauda" — daí o nome "cometa". O comprimento e a intensidade da cauda são proporcionais à extensão do dano.
A versatilidade do ensaio é um de seus maiores atrativos: ele pode ser aplicado a praticamente qualquer tipo celular que possa ser isolado e mantido em suspensão. Isso inclui linfócitos do sangue periférico (o uso mais comum em biomonitoramento humano), mas também células de tecidos sólidos (após dissociação), células epiteliais, espermatozoides, células vegetais (como raízes de Allium cepa e Vicia faba), células de peixes, anfíbios, répteis, aves, insetos e até leveduras e bactérias (com adaptações). A única exigência é que a célula possua DNA e que seja possível obter uma suspensão celular viável.
A banca explora aqui uma generalização indevida: o candidato pode associar o ensaio do cometa a estudos de toxicologia humana e ambiental realizados em mamíferos (ratos, camundongos, humanos) e concluir, erroneamente, que a técnica é exclusiva desses organismos. No entanto, a literatura científica está repleta de aplicações do ensaio em organismos não mamíferos, especialmente em ecotoxicologia, onde é usado para avaliar a genotoxicidade de poluentes em peixes, anfíbios e plantas. A imagem do enunciado, que mostra resultados de um ensaio do cometa, não impõe qualquer restrição ao tipo celular — a técnica é um biomarcador universal de dano ao DNA.
Ensaio do cometa (SCGE)
1Detecta danos no DNA
Quebras de fita simples
Quebras de fita dupla
2Aplicável a qualquer célula nucleada
Mamíferos (linfócitos)
Peixes
Anfíbios
Vegetais (Allium cepa)
Insetos
Microrganismos
3Requisito
Suspensão de células/núcleos intactos
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NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que o ensaio do cometa é exclusivo de células de mamíferos, quando na verdade ele é uma ferramenta versátil aplicável a qualquer célula nucleada. A pegadinha está na palavra "restrita": ela sugere uma limitação que não existe. Lembre-se: o ensaio do cometa é usado em ecotoxicologia justamente porque pode ser aplicado a organismos não mamíferos, como peixes e plantas, para monitorar a poluição ambiental. Fique atento a termos absolutos como "restrito", "somente", "exclusivo" — eles frequentemente sinalizam uma generalização indevida.