Questão de Biologia — Moléculas, células e tecidos — CESPE / CEBRASPE 2024
Biologia›Moléculas, células e tecidos
Código
ce174469
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INPI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pesquisador Em Propriedade Industrial – Área: P2- Bioquímica / Imunologia / Biologia Celular E Molecular / Biotecnologia / Microbiologia
O câncer de mama é uma das neoplasias malignas mais comuns e a principal causa de mortes entre mulheres no mundo relacionadas a tumores. A desregulação do ciclo celular é uma das características do câncer, resultando em descontrole da proliferação celular. As quinases dependentes de ciclina (CDKs) são centrais para o sistema de controle do ciclo celular, e a desregulação dessas quinases leva ao desenvolvimento de malignidades, incluindo o câncer de mama. Um exemplo de desregulação é a superexpressão de ciclinas que desencadeia uma superativação de CDKs, desregulando o ciclo celular. Terapias estão sendo desenvolvidas com o objetivo de obter um inibidor de CDK desregulado.Tendo as informações acima como referência inicial, julgue o item subsequente, acerca de CDKs.Utilizar inibidores de CDK como terapia visa à indução da transcrição de genes de ciclinas.
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Inibidores de CDK e o ciclo celular no câncer
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque inibidores de CDK não visam induzir a transcrição de genes de ciclinas; pelo contrário, eles atuam bloqueando a atividade enzimática das CDKs, impedindo a fosforilação de substratos necessários à progressão do ciclo celular. O objetivo terapêutico é inibir a superativação das CDKs (frequentemente causada pela superexpressão de ciclinas), e não estimular a produção de mais ciclinas.
As quinases dependentes de ciclina (CDKs) são enzimas que, quando complexadas com ciclinas específicas, fosforilam proteínas-alvo e conduzem a célula pelas diferentes fases do ciclo celular (G1, S, G2 e M). No câncer, a desregulação desse sistema — como a superexpressão de ciclinas — leva à hiperatividade das CDKs e à proliferação descontrolada. Por isso, a estratégia terapêutica com inibidores de CDK (por exemplo, palbociclibe, ribociclibe e abemaciclibe, usados no câncer de mama) é bloquear a ação dessas quinases, e não aumentar a transcrição de ciclinas. A transcrição de genes de ciclinas é um processo que ocorre naturalmente na célula e, na verdade, a superexpressão desses genes é um dos mecanismos que contribuem para a tumorigênese — estimulá-la seria contraproducente.
A pegadinha da banca está em inverter a lógica da terapia: o aluno pode pensar que, como a superexpressão de ciclinas causa a superativação das CDKs, o tratamento poderia "compensar" induzindo mais transcrição — mas isso agravaria o problema. O correto é inibir a atividade das CDKs, seja diretamente (competindo pelo sítio ATP) ou indiretamente (modulando a expressão de ciclinas).
Inibidores de CDK (terapia)
1Objetivo
Bloquear atividade das CDKs
Impedir fosforilação de substratos
Conter proliferação descontrolada
2Mecanismo
Competem pelo sítio ATP
Modulam expressão de ciclinas
3O que NÃO fazem
Não induzem transcrição de ciclinas
Não estimulam superativação
LEVEL · soulevel.com.br
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa "Utilizar inibidores de CDK como terapia visa à indução da transcrição de genes de ciclinas" é falsa. O termo "inibidor" já indica a ação de bloquear/reduzir, e não de induzir. A terapia com inibidores de CDK tem como alvo a atividade enzimática das CDKs, e não a transcrição gênica de ciclinas. Induzir a transcrição de ciclinas aumentaria ainda mais a superativação das CDKs, o que é justamente o oposto do efeito desejado no tratamento do câncer.