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Questão de Matemática — Raciocínio Lógico — CESPE / CEBRASPE 2024

MatemáticaRaciocínio Lógico
Código
ce174747
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INPI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Tecnologista em propriedade industrial – área: t1 – formação: qualquer área de formação.
Em relação aos raciocínios falaciosos, julgue o item seguinte.No diálogo a seguir, fica claro, na resposta de Beto, um apelo à ignorância usado por ele para desqualificar a sugestão de André.André: Beto, eu sugiro que você pratique alguma atividade física para sua vida ser mais saudável.Beto: Nunca vi você fazer atividade física alguma, André! Você só vive dentro de casa e sentado na frente do computador! Quem é você para sugerir que eu faça atividade física? Quero não! Obrigado.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Falácias: apelo à ignorância (argumentum ad ignorantiam)

Gabarito: ERRADO (alternativa E). No diálogo, Beto não comete apelo à ignorância — ele comete uma falácia ad hominem (ataque à pessoa de André, desqualificando-o por não praticar atividade física), e não um argumento baseado na ausência de prova. O apelo à ignorância ocorreria se Beto dissesse, por exemplo, "não há provas de que atividade física faz bem, logo não faz bem" — o que não acontece.

A questão cobra a identificação de tipos de falácia, um tópico clássico de Raciocínio Lógico. Vamos entender o que é cada uma e por que a resposta de Beto não se encaixa no apelo à ignorância.

O que é o apelo à ignorância (argumentum ad ignorantiam)

O apelo à ignorância é uma falácia lógica que consiste em afirmar que uma proposição é verdadeira (ou falsa) simplesmente porque não foi provado o contrário. A estrutura é:

  • "Não há provas de que X é falso, logo X é verdadeiro" (ou vice-versa).

  • "Ninguém provou que Deus não existe, logo Deus existe" — exemplo clássico.

  • "Não existem evidências de que extraterrestres visitaram a Terra, logo eles nunca vieram" — outro exemplo.

A falha está em usar a ausência de prova como se fosse prova da ausência. A falta de evidência não estabelece, por si só, a verdade ou falsidade de uma proposição.

O que Beto realmente fez: falácia ad hominem

No diálogo, Beto não argumenta com base na ausência de prova. Ele ataca a pessoa de André — sua credibilidade — ao apontar que André não pratica atividade física. Essa é a estrutura da falácia ad hominem (contra a pessoa): em vez de rebater o argumento ("atividade física faz bem"), ataca-se quem o apresentou, tentando desqualificá-lo.

  • André: "pratique atividade física para ser mais saudável" (argumento).

  • Beto: "você não pratica, então quem é você para falar?" (ataque à pessoa, não ao argumento).

A resposta de Beto é um típico ad hominem — ele tenta invalidar a sugestão de André atacando o comportamento de André, não a validade da sugestão em si.

Por que a assertiva está errada

A assertiva afirma que "fica claro, na resposta de Beto, um apelo à ignorância". Isso está errado porque:

  1. Não há ausência de prova como base do argumento. Beto não diz "não há provas de que atividade física faz bem". Ele diz "você não pratica, então não tem autoridade para falar".

  2. O que ocorre é ad hominem. A desqualificação da pessoa (André) substitui a refutação do argumento.

Portanto, a resposta de Beto é uma falácia, mas não é apelo à ignorância — é ad hominem.

Tabela comparativa: apelo à ignorância × ad hominem

Critério

Apelo à ignorância

Ad hominem

Base do argumento

Ausência de prova

Ataque à pessoa

Estrutura

"Não há provas de X, logo X é falso/verdadeiro"

"Quem diz X é desqualificado, logo X é falso"

Exemplo

"Ninguém provou que fantasmas existem, logo não existem"

"Você não pratica esporte, então seu conselho é inválido"

1Apelo à ignorância
base: ausência de prova
"não há provas de X, logo X é falso"
2Ad hominem
base: ataque à pessoa
"quem diz X é desqualificado, logo X é falso"
3Caso concreto
Beto ataca André (ad hominem)
não é apelo à ignorância
Falácias
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Falácias: Apelo à ignorância (base: ausência de prova, "não há provas de X, logo X é falso"); Ad hominem (base: ataque à pessoa, "quem diz X é desqualificado, logo X é falso"); Caso concreto (Beto ataca André (ad hominem), não é apelo à ignorância)
NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir falácia ad hominem com apelo à ignorância. A pegadinha está em associar qualquer "desqualificação" a "ignorância". Mas o apelo à ignorância exige que o argumento se baseie na falta de prova — e aqui Beto se baseia na falta de autoridade moral de André. Fique atento: se a resposta ataca a pessoa, é ad hominem; se invoca a ausência de evidência, é apelo à ignorância.

Gabarito: ERRADO (alternativa E).

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