Pular para o conteúdo principal

Questão de Matemática — Raciocínio Lógico — CESPE / CEBRASPE 2024

MatemáticaRaciocínio Lógico
Código
ce174748
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INPI
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Tecnologista em propriedade industrial – área: t1 – formação: qualquer área de formação.
Em relação aos raciocínios falaciosos, julgue o item seguinte.Quando um delegado formula a pergunta “Você continua furtando celulares e carteiras nos transportes públicos?”, tanto uma resposta “sim” quanto uma resposta “não” serão prejudiciais ao interrogado.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Raciocínios falaciosos: a pergunta capciosa (falácia da dupla negação / pergunta complexa)

Gabarito: ✅ CERTO. A pergunta formulada pelo delegado é um clássico exemplo de falácia da pergunta complexa (ou plurium interrogationum), pois embute uma premissa não admitida — a de que o interrogado furtava celulares e carteiras — e, ao responder "sim" ou "não", o interrogado acaba por admitir a premissa (que furtava), sendo prejudicial em ambos os casos. Essa é uma falácia informal de ambiguidade/pressuposição, estudada no Raciocínio Lógico, e não uma questão de Direito Penal.

A falácia da pergunta complexa ocorre quando uma pergunta contém duas ou mais perguntas ou uma pressuposição que não foi aceita pelo interlocutor. No exemplo, a pergunta "Você continua furtando...?" pressupõe que o interrogado furtava antes e pergunta se ele continua furtando. Qualquer resposta direta (sim ou não) confirma a premissa de que ele furtava — por isso é uma armadilha lógica. É diferente de uma pergunta neutra, como "Você furtou celulares?", em que o "não" nega o fato sem admitir nada.

A banca explora aqui a distinção entre a pergunta capciosa e a pergunta legítima: a primeira é inválida do ponto de vista lógico porque não permite resposta que não prejudique o interrogado, enquanto a segunda permite resposta negativa sem autoincriminação. O candidato que conhece as falácias informais reconhece imediatamente o padrão.

Caso

Resposta do interrogado

Premissa embutida admitida?

Consequência para o interrogado

Caso 1

“Sim”

Sim (confirma que furtava e que continua furtando)

Prejudicial (admite o fato)

Caso 2

“Não”

Sim (nega a continuação, mas admite que furtava antes)

Prejudicial (admite o fato)

Caso 3

Qualquer resposta direta

Sim (a pergunta pressupõe o furto anterior)

Prejudicial (armadilha lógica)

1Estrutura
Embute premissa não admitida
Exige resposta que a confirma
2Exemplo
"Você continua furtando?"
Sim → admite que furtava
Não → admite que furtava
3Distinção
Pergunta capciosa → sempre prejudicial
Pergunta legítima → permite negar sem admitir
Falácia da pergunta complexa
LEVELsoulevel.com.br
Falácia da pergunta complexa: Estrutura (Embute premissa não admitida, Exige resposta que a confirma); Exemplo ("Você continua furtando?", Sim → admite que furtava, Não → admite que furtava); Distinção (Pergunta capciosa → sempre prejudicial, Pergunta legítima → permite negar sem admitir)
NÃO CAIA NESSA!

A banca não está cobrando Direito Penal (furto, autoacusação falsa), mas sim Raciocínio Lógico — falácias informais. O candidato que se prende ao conteúdo jurídico da pergunta ("mas furtar é crime!") perde o foco: o que importa é a estrutura lógica da pergunta, que força a admissão de uma premissa. Lembre-se: a falácia da pergunta complexa é uma falácia de pressuposição, não um erro de conteúdo factual.

Gabarito: ✅ CERTO.

Link permanente: /questoes/ce174748