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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce176547
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-GO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista em Informática
        Quando se fala que o surgimento da escrita não foi apenas a aquisição de mais um modo de expressão, mas também uma revolução, é porque ela mudou toda uma forma de organizar os pensamentos. Na cultura oral, a memória é que determina o conhecimento, portanto só sabemos o que podemos recordar, como pontuou o filósofo e historiador cultural Walter Ong. Dessa forma, o pensamento foi moldado a partir da repetição oral, dos padrões rítmicos ou de alguma forma mnemônica, e de um ritmo mais lento na evolução dos acontecimentos.
         Quando o suporte sai do corpo da pessoa e vai para a argila, a cerâmica, a pedra, mais tarde para o pergaminho e o papel — suportes que criam a possibilidade de a pessoa retomar a leitura para relembrar ou refletir sobre um acontecimento —, a própria elaboração do pensamento e a transmissão do conhecimento são afetadas. Para além disso, sendo a leitura em suporte escrito uma atividade individualizada, solitária na maioria das vezes, ela modifica a relação de comunicação que se tinha antes na cultura oral, na qual há unidade entre quem fala e quem ouve.

O resultado disso teria sido tão impactante que Ong classifica a escrita como uma tecnologia ainda mais extrema que a impressão e os computadores, por exemplo. “A escrita, a impressão e os computadores são todos meios de tecnologizar a palavra. A escrita é, de certo modo, a mais drástica das três tecnologias. Ela iniciou o que a impressão e os computadores apenas continuam, a redução do som dinâmico a um espaço mudo, o afastamento da palavra em relação ao presente vivo, único lugar em que as palavras faladas podem existir. Ao contrário da linguagem natural, oral, a escrita é inteiramente artificial”, escreveu ele.

Renata Penzani. Por que a escrita é a grande revolução da humanidade?
Internet:<www.companhiadasletras.com.br>  (com adaptações).
Julgue o item seguinte, relativo aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto precedente.A correção gramatical e os sentidos do texto seriam preservados caso o trecho “que a impressão e os computadores” (primeiro período do terceiro parágrafo) fosse reescrito como da impressão e dos computadores.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de comparação — preservação de sentido e correção gramatical

Gabarito: Errado (E). A substituição de “que a impressão e os computadores” por “da impressão e dos computadores” altera a regência do adjetivo “mais extrema” e modifica o sentido original de comparação para uma relação de posse/pertinência, o que fere a correção gramatical e os sentidos do texto.

No trecho original:

“O resultado disso teria sido tão impactante que Ong classifica a escrita como uma tecnologia ainda mais extrema que a impressão e os computadores”

A expressão “mais extrema que” estabelece uma comparação direta: a escrita é (ainda) mais extrema do que a impressão e os computadores. O termo “que” funciona como conectivo comparativo (= do que).

Na reescrita proposta: “mais extrema da impressão e dos computadores”, a preposição “de” (combinada com “a” em “da”) indica posse, origem ou relação de pertencimento — como em “a mais extrema entre as impressoras e os computadores” ou “a mais extrema dentre eles”. Isso desfaz a ideia de comparação entre duas coisas distintas (escrita vs. impressão/computadores) e cria uma interpretação de que a escrita seria a mais extrema dentro da categoria formada por impressão e computadores — o que não é o que o texto afirma.

Além disso, gramaticalmente, o adjetivo “extrema” no grau comparativo exige a preposição “a” (ou “do que”) para introduzir o segundo termo da comparação. A preposição “de” é inadequada para reger o termo comparado. Portanto, a reescrita é incorreta tanto do ponto de vista sintático (regência) quanto semântico (alteração de sentido).

A banca cobra a percepção de que a troca de um conectivo comparativo por uma preposição possessiva desvirtua o enunciado original.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na tentação de achar que “da” é sinônimo de “que a” em contextos comparativos. Mas “mais ... que” é estrutura cristalizada de comparação; “mais ... de” pertence a outra estrutura (superlativo relativo ou posse).

PEGA ESSA DICA!

Ao avaliar reescritas, verifique se a regência do termo principal (aqui, “mais extrema”) é respeitada e se o valor semântico do conectivo foi preservado.

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