Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177232
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Letras
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). O reordenamento proposto não mantém o sentido original porque inverte a estrutura comparativa e a regência do verbo “importar”. No texto original, “A ninguém importa mais do que à magistratura fugir do medo”, o sujeito de “importa” é a oração “fugir do medo”, e a comparação estabelece que “a ninguém” (nenhuma pessoa) importa mais do que “à magistratura” (ou seja, a magistratura é a que mais se importa). Já na versão reordenada, “À magistratura importa a ninguém mais do que fugir do medo”, a colocação de “a ninguém” após o verbo e a comparação “mais do que fugir do medo” criam uma estrutura ambígua e, principalmente, deslocam o termo comparado: agora parece que se compara “a ninguém” (objeto indireto) com “fugir do medo” (sujeito), invertendo a relação. A comparação original era entre dois complementos (a ninguém / à magistratura); a reordenação compara um complemento com o sujeito, o que altera o sentido. Portanto, a afirmação está errada.
Frase original:
"A ninguém importa mais do que à magistratura fugir do medo"
Sujeito: “fugir do medo” (oração subordinada substantiva subjetiva).
Verbo: “importa” (impessoal no sentido de ‘ser importante’).
Complementos: “a ninguém” e “à magistratura” são objetos indiretos coordenados pela comparação “mais... do que”.
Sentido: “Fugir do medo é mais importante para a magistratura do que para qualquer outra pessoa.”
Reordenação proposta:
"À magistratura importa a ninguém mais do que fugir do medo"
A inversão coloca “à magistratura” no início, seguido de “importa a ninguém mais do que fugir do medo”.
A expressão “mais do que” agora conecta “a ninguém” com “fugir do medo” (que permanece como sujeito?).
A comparação deixa de ser entre pessoas (ninguém / magistratura) e passa a ser entre “ninguém” (pessoa) e “fugir do medo” (ação). Isso muda o significado: na nova leitura, “fugir do medo” parece ser o termo com o qual se compara “a ninguém”, o que é incoerente (comparar uma pessoa com uma ação) e foge ao sentido original.
Assim, a reordenação não preserva o sentido; logo, o item está errado.
Ao reordenar orações com comparação, verifique se os termos comparados permanecem os mesmos. O verbo “importar” rege objeto indireto (a + alguém); inverter a ordem pode quebrar a relação comparativa.
Gabarito: E (Errado).
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