Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177246
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Letras
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo (C). O item está correto porque todas as quatro proibições nele listadas podem ser deduzidas diretamente do discurso de Rui Barbosa. O autor exorta os futuros juízes a não favorecerem os poderosos em detrimento dos desvalidos, a não recusarem proteção aos pobres contra os ricos, a servirem com independência e a não transigirem com a verdade perante o poder.
Antepor os poderosos aos desvalidos – O texto afirma que o direito dos mais miseráveis é tão sagrado quanto o do mais alto poder, e que a justiça deve ser mais atenta com eles, pois são os mais mal defendidos. Logo, não se deve colocar os poderosos à frente dos desvalidos.
> "O direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta, e redobrar-se de escrúpulo..."
Recusar patrocínio aos desvalidos contra os poderosos – A condenação dos "baixos e abomináveis sofismas" e a orientação para enfrentar com dignidade os poderosos que investem contra a justiça implicam que o juiz não deve negar defesa aos fracos.
> "Preservai, juízes de amanhã, preservai vossas almas juvenis desses baixos e abomináveis sofismas." e "Os poderosos que investem contra a justiça (...) não terão, por muito tempo, a cabeça erguida em ameaça ou desobediência diante dos magistrados, que os enfrentam com dignidade e firmeza."
Servir sem independência à justiça – O magistrado deve ter “pureza imaculada e plácida rigidez, que a nada se dobre”, e não conhecer covardia. Isso significa que ele deve agir com independência, sem subserviência.
> "Todo bom magistrado tem muito de heroico em si mesmo, na pureza imaculada e na plácida rigidez, que a nada se dobre, e de nada se tenha medo..."
Romper a verdade diante do poder – A exortação para não tergiversar com responsabilidades e não temer soberanias (do povo ou do poder) mostra que o juiz não deve falsear a verdade por pressão.
> "Não tergiverseis com as vossas responsabilidades, por mais atribulações que vos imponham, e mais perigos a que vos exponham. Nem receeis soberanias da terra: nem a do povo, nem a do poder."
Portanto, o item é uma síntese fiel do espírito do texto, e a dedução é plenamente autorizada. Gabarito: C (Certo).
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