Questão de Medicina — Urologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177296
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa é falsa porque o PSA e o toque retal, embora não sejam diagnósticos isoladamente, são ferramentas fundamentais no rastreamento, na investigação e no acompanhamento do câncer de próstata — o PSA é o principal marcador para rastreamento, estratificação de risco e detecção de recorrência bioquímica, e o toque retal complementa a avaliação, aumentando o valor preditivo positivo quando associado ao PSA elevado. A literatura médica (diretrizes de urologia e medicina baseada em evidências) sustenta seu uso na tomada de decisão compartilhada, especialmente em homens de 55 a 69 anos.
O câncer de próstata é a neoplasia maligna mais comum em homens, e seu rastreamento baseia-se justamente na combinação do Antígeno Prostático Específico (PSA) com o toque retal (TR). O PSA é uma glicoproteína produzida pelas células epiteliais da próstata, cuja função é liquefazer o sêmen; quando há ruptura da arquitetura celular — como ocorre no câncer —, maiores quantidades de PSA "vazam" para a circulação, elevando seus níveis séricos. Por isso, o PSA é um marcador sensível para alterações prostáticas, embora não seja específico para câncer, pois também se eleva na hiperplasia prostática benigna (HPB), na prostatite e após manipulação prostática. O toque retal, por sua vez, avalia características da glândula como consistência, limites, simetria e superfície — achados como nódulo endurecido ou perda do sulco mediano sugerem malignidade.
A afirmativa do enunciado comete um erro grave ao afirmar que esses exames são "inadequados" e "não devem ser utilizados" para rastreamento, investigação, confirmação diagnóstica, prognóstico e acompanhamento. Na prática clínica, o PSA é a ferramenta central do rastreamento: a USPSTF (Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA) recomenda a tomada de decisão compartilhada sobre o rastreamento com PSA em homens de 55 a 69 anos, e o toque retal, embora não tenha evidência isolada como teste de rastreamento, é recomendado em associação ao PSA elevado, pois aumenta o valor preditivo positivo de 22% (apenas PSA > 3 ng/mL) para 49% (PSA > 3 ng/mL + TR alterado). Além disso, o PSA é essencial no acompanhamento: após prostatectomia radical, espera-se PSA indetectável, e a recorrência bioquímica é definida por PSA ≥ 0,2 ng/mL confirmado em segundo exame; após radioterapia, por PSA ≥ 2 ng/mL acima do nadir. Ou seja, o PSA é indispensável tanto para o diagnóstico precoce quanto para o monitoramento pós-tratamento.
A confusão que a banca explora aqui é a diferença entre "não ser diagnóstico isolado" e "ser inadequado". O PSA e o toque retal não confirmam o diagnóstico — isso exige biópsia prostática —, mas são absolutamente adequados e recomendados para rastreamento e investigação inicial. A afirmativa inverte completamente o papel desses exames, transformando uma limitação (não são confirmatórios) em uma contraindicação absoluta (não devem ser usados), o que contraria todas as diretrizes de rastreamento do câncer de próstata.
A banca explora a confusão entre "exame de rastreamento" e "exame diagnóstico". O PSA e o toque retal são exames de rastreamento e investigação — eles não confirmam o diagnóstico (isso é papel da biópsia), mas isso não os torna inadequados. A afirmativa pega essa limitação real e a transforma em uma contraindicação absoluta, o que é falso. O candidato que sabe que o PSA não é específico para câncer pode ser induzido a concordar com a afirmativa, mas a especificidade limitada não elimina sua utilidade clínica comprovada.
A afirmativa está incorreta por três motivos principais: (1) o PSA e o toque retal são sim utilizados no rastreamento do câncer de próstata, com recomendação de tomada de decisão compartilhada para homens de 55 a 69 anos; (2) são fundamentais na investigação inicial, pois o PSA elevado ou o toque retal alterado indicam necessidade de avaliação urológica e possível biópsia; (3) o PSA é o principal marcador de acompanhamento pós-tratamento, sendo usado para detectar recorrência bioquímica após prostatectomia radical ou radioterapia. A afirmativa erra ao generalizar que esses exames são "inadequados" e "não devem ser utilizados" para todas essas finalidades, quando na verdade eles são a base do rastreamento e do monitoramento da doença.
Gabarito: ERRADO — o PSA e o toque retal são exames adequados e amplamente utilizados no rastreamento, investigação e acompanhamento do câncer de próstata, embora não sejam confirmatórios isoladamente.
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