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Questão de Medicina — Urologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaUrologia
Código
ce177297
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
Ao longo das últimas décadas, observou-se o aumento das taxas de incidência do câncer de próstata. As principais hipóteses relacionam-se ao efeito combinado de envelhecimento da população, melhoria da sensibilidade das técnicas diagnósticas e disseminação do rastreamento com os testes do Antígeno Prostático Específico (PSA) e do toque retal. No entanto, em razão do comportamento indolente de parte desses cânceres e ao expressivo sobrediagnóstico, as taxas de mortalidade não acompanham as de incidência.Internet: <www.inca.gov.br> (com adaptações).Acerca do assunto tratado no texto, julgue o item a seguir.Considerando-se as melhores evidências disponíveis, o alto risco de falsos-positivos e sobrediagnóstico, o rastreamento do câncer de próstata com o PSA deve ser individualizado e sempre fruto de uma decisão compartilhada entre paciente e profissional de saúde.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de próstata com PSA: decisão compartilhada

Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: as melhores evidências disponíveis indicam que o rastreamento do câncer de próstata com o PSA deve ser individualizado e sempre fruto de decisão compartilhada entre paciente e profissional de saúde, em razão do alto risco de falsos-positivos e sobrediagnóstico. Essa recomendação é amplamente aceita por diretrizes de sociedades médicas e órgãos de saúde pública, como a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), que reconhecem a necessidade de discutir riscos e benefícios antes de iniciar o rastreamento.

O câncer de próstata é uma neoplasia de comportamento heterogêneo: muitos tumores são indolentes e não ameaçam a vida, enquanto outros são agressivos e letais. O PSA é uma glicoproteína produzida pelas células epiteliais da próstata, e sua dosagem sérica é o principal teste de rastreamento, mas não é específico para câncer — ele pode estar elevado em condições benignas como hiperplasia prostática benigna (HPB), prostatite, manipulação prostática, ejaculação recente e retenção urinária. Essa baixa especificidade gera um número expressivo de falsos-positivos, levando a biópsias desnecessárias, ansiedade e custos adicionais.

Além disso, o rastreamento detecta uma parcela significativa de cânceres que nunca causariam sintomas ou morte — o chamado sobrediagnóstico. Estudos como o PLCO (EUA) e o ERSPC (Europa) mostraram benefício modesto na redução da mortalidade, mas com risco real de sobretratamento, com consequências como disfunção erétil e incontinência urinária. Por isso, a recomendação atual é que a decisão de rastrear seja compartilhada, levando em conta a expectativa de vida, comorbidades, valores e preferências do paciente.

Na prática, a decisão compartilhada envolve explicar ao paciente os potenciais benefícios (redução da mortalidade específica) e malefícios (falsos-positivos, biópsias, sobrediagnóstico e sobretratamento) do rastreamento, permitindo que ele participe ativamente da escolha. Essa abordagem é especialmente relevante em homens entre 55 e 69 anos, faixa em que o benefício potencial é maior, mas ainda assim deve ser individualizada. Em homens com expectativa de vida inferior a 10 anos, o rastreamento geralmente não é recomendado, pois os riscos superam os benefícios.

A banca explora aqui a distinção entre o rastreamento populacional (screening) e o rastreamento individualizado. A afirmativa está alinhada com a prática baseada em evidências e com as diretrizes atuais, que abandonaram a recomendação de rastreamento em massa sem discussão prévia. O candidato que marcou "Errado" provavelmente confundiu a recomendação atual com a prática antiga de rastreamento universal, ou não considerou o contexto de sobrediagnóstico e falsos-positivos mencionado no próprio enunciado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a recomendação de rastreamento é universal e obrigatória, quando na verdade a diretriz atual é de decisão compartilhada e individualizada. O enunciado já entrega a pista ao mencionar "comportamento indolente" e "sobrediagnóstico" — o rastreamento não pode ser automático, precisa ser discutido.

CERTO.

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