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Questão de Medicina — Medicina Preventiva — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaMedicina Preventiva
Código
ce177308
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
O rastreamento caracteriza-se pela aplicação de testes em pessoas assintomáticas com o objetivo de reduzir a morbimortalidade atribuída a uma doença específica. É uma das estratégias para o controle do câncer e figura como a fase inicial de identificação de um grupo populacional que deverá ser submetido a outros procedimentos para receber o diagnóstico final e o respectivo tratamento, quando indicado, considerando-se possíveis benefícios e riscos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o rastreamento em dois tipos, o oportunístico e o organizado. O rastreamento organizado também é chamado de populacional.Internet: <www.inca.gov.br> (com adaptações).No que se refere ao assunto tratado no texto, julgue o item a seguir.Testes fáceis de administrar, seguros, acessíveis e aceitáveis, altamente precisos (baixa sensibilidade e especificidade) e de resposta rápida dos resultados são condição para a implementação de um programa de rastreamento.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento em Medicina Preventiva

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque um teste de rastreamento deve ter alta sensibilidade e especificidade (alta precisão diagnóstica), e não baixa, como afirma o item. O rastreamento é uma estratégia de prevenção secundária que exige testes com boa acurácia para identificar corretamente os casos suspeitos, evitando tanto falsos negativos (que deixariam doentes sem diagnóstico) quanto falsos positivos (que gerariam ansiedade e procedimentos desnecessários).

O rastreamento é uma ferramenta da prevenção secundária, aplicada em pessoas assintomáticas, com o objetivo de detectar precocemente uma doença e, assim, reduzir a morbimortalidade associada. Para que um programa de rastreamento seja eficaz e ético, o teste utilizado deve preencher uma série de critérios, que vão além da simples capacidade de detectar a doença. Esses critérios foram sistematizados por Wilson e Jungner para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluem: a doença deve ser um problema de saúde pública relevante; deve haver tratamento eficaz disponível; deve existir uma fase pré-clínica detectável; o teste deve ser aceitável para a população; e, crucialmente, o teste deve ter alta sensibilidade e especificidade.

A sensibilidade é a capacidade do teste de identificar corretamente os doentes (verdadeiros positivos), enquanto a especificidade é a capacidade de identificar corretamente os não doentes (verdadeiros negativos). Um teste com baixa sensibilidade deixaria de detectar muitos casos de câncer, o que é inaceitável em um programa de rastreamento, pois o objetivo é justamente não deixar passar despercebida uma doença em fase inicial. Por outro lado, um teste com baixa especificidade geraria muitos resultados falso-positivos, levando a investigações desnecessárias, ansiedade no paciente e sobrecarga do sistema de saúde. Portanto, a exigência é de alta sensibilidade e especificidade, e não baixa.

Na prática, o rastreamento do câncer de mama com mamografia e do câncer de colo de útero com Papanicolaou são exemplos clássicos. A mamografia, por exemplo, tem sensibilidade e especificidade razoavelmente altas, mas não perfeitas, e por isso os resultados anormais são confirmados por exames complementares (como biópsia) antes do diagnóstico final. O mesmo ocorre com o Papanicolaou: um resultado alterado leva à colposcopia e biópsia para confirmação. A lógica do rastreamento é justamente que o teste inicial seja altamente sensível para "capturar" o maior número possível de casos suspeitos, que serão então submetidos a um procedimento diagnóstico mais específico e definitivo.

A banca explora aqui uma inversão de conceito: o candidato pode confundir as características de um bom teste de rastreamento com as de um teste diagnóstico ou pode simplesmente não lembrar que a precisão (sensibilidade e especificidade) deve ser alta. A pegadinha está em trocar "alta" por "baixa" precisão, o que tornaria o rastreamento inútil e até prejudicial. É fundamental memorizar que os critérios de Wilson e Jungner exigem um teste com alta acurácia, seguro, aceitável, de baixo custo e com resultado rápido, mas sempre com alta sensibilidade e especificidade.

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada ao afirmar que os testes de rastreamento devem ter "baixa sensibilidade e especificidade". O correto é que esses testes devem ter alta sensibilidade e especificidade, ou seja, alta precisão diagnóstica. Um teste com baixa sensibilidade falharia em detectar muitos casos de doença, e um com baixa especificidade geraria muitos falsos positivos, ambos inaceitáveis em um programa de rastreamento. Os demais atributos citados (fáceis de administrar, seguros, acessíveis, aceitáveis e de resposta rápida) estão corretos e são, de fato, condições importantes para a implementação de um programa de rastreamento, conforme os critérios de Wilson e Jungner.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverteu o termo "alta" por "baixa" precisão. O candidato que lê rápido pode não perceber a troca e marcar como certo. Lembre-se: um bom teste de rastreamento precisa de alta sensibilidade (para não deixar doentes sem diagnóstico) e alta especificidade (para não gerar falsos positivos em massa).

Gabarito: ERRADO.

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