Questão de Medicina — Medicina Preventiva — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177308
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque um teste de rastreamento deve ter alta sensibilidade e especificidade (alta precisão diagnóstica), e não baixa, como afirma o item. O rastreamento é uma estratégia de prevenção secundária que exige testes com boa acurácia para identificar corretamente os casos suspeitos, evitando tanto falsos negativos (que deixariam doentes sem diagnóstico) quanto falsos positivos (que gerariam ansiedade e procedimentos desnecessários).
O rastreamento é uma ferramenta da prevenção secundária, aplicada em pessoas assintomáticas, com o objetivo de detectar precocemente uma doença e, assim, reduzir a morbimortalidade associada. Para que um programa de rastreamento seja eficaz e ético, o teste utilizado deve preencher uma série de critérios, que vão além da simples capacidade de detectar a doença. Esses critérios foram sistematizados por Wilson e Jungner para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluem: a doença deve ser um problema de saúde pública relevante; deve haver tratamento eficaz disponível; deve existir uma fase pré-clínica detectável; o teste deve ser aceitável para a população; e, crucialmente, o teste deve ter alta sensibilidade e especificidade.
A sensibilidade é a capacidade do teste de identificar corretamente os doentes (verdadeiros positivos), enquanto a especificidade é a capacidade de identificar corretamente os não doentes (verdadeiros negativos). Um teste com baixa sensibilidade deixaria de detectar muitos casos de câncer, o que é inaceitável em um programa de rastreamento, pois o objetivo é justamente não deixar passar despercebida uma doença em fase inicial. Por outro lado, um teste com baixa especificidade geraria muitos resultados falso-positivos, levando a investigações desnecessárias, ansiedade no paciente e sobrecarga do sistema de saúde. Portanto, a exigência é de alta sensibilidade e especificidade, e não baixa.
Na prática, o rastreamento do câncer de mama com mamografia e do câncer de colo de útero com Papanicolaou são exemplos clássicos. A mamografia, por exemplo, tem sensibilidade e especificidade razoavelmente altas, mas não perfeitas, e por isso os resultados anormais são confirmados por exames complementares (como biópsia) antes do diagnóstico final. O mesmo ocorre com o Papanicolaou: um resultado alterado leva à colposcopia e biópsia para confirmação. A lógica do rastreamento é justamente que o teste inicial seja altamente sensível para "capturar" o maior número possível de casos suspeitos, que serão então submetidos a um procedimento diagnóstico mais específico e definitivo.
A banca explora aqui uma inversão de conceito: o candidato pode confundir as características de um bom teste de rastreamento com as de um teste diagnóstico ou pode simplesmente não lembrar que a precisão (sensibilidade e especificidade) deve ser alta. A pegadinha está em trocar "alta" por "baixa" precisão, o que tornaria o rastreamento inútil e até prejudicial. É fundamental memorizar que os critérios de Wilson e Jungner exigem um teste com alta acurácia, seguro, aceitável, de baixo custo e com resultado rápido, mas sempre com alta sensibilidade e especificidade.
A afirmativa está errada ao afirmar que os testes de rastreamento devem ter "baixa sensibilidade e especificidade". O correto é que esses testes devem ter alta sensibilidade e especificidade, ou seja, alta precisão diagnóstica. Um teste com baixa sensibilidade falharia em detectar muitos casos de doença, e um com baixa especificidade geraria muitos falsos positivos, ambos inaceitáveis em um programa de rastreamento. Os demais atributos citados (fáceis de administrar, seguros, acessíveis, aceitáveis e de resposta rápida) estão corretos e são, de fato, condições importantes para a implementação de um programa de rastreamento, conforme os critérios de Wilson e Jungner.
A banca inverteu o termo "alta" por "baixa" precisão. O candidato que lê rápido pode não perceber a troca e marcar como certo. Lembre-se: um bom teste de rastreamento precisa de alta sensibilidade (para não deixar doentes sem diagnóstico) e alta especificidade (para não gerar falsos positivos em massa).
Gabarito: ERRADO.
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