Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
ce177314
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
Em relação às doenças reumáticas, julgue o item que se segue.O espessamento bilateral da pele dos dedos, estendendo-se distalmente às articulações metacarpofalangeanas, é o que tem o maior peso no escore de avaliação diagnóstica da esclerose sistêmica.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Esclerose sistêmica: critérios diagnósticos e o escore de avaliação
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque o espessamento cutâneo dos dedos (esclerodactilia) distal às articulações metacarpofalângicas é um dos critérios diagnósticos da esclerose sistêmica, mas não é o item de maior peso no escore de classificação — esse peso pertence ao espessamento cutâneo das mãos que se estende proximalmente às metacarpofalângicas, característico da forma difusa da doença. A base para essa distinção está na classificação clínica da esclerose sistêmica em subtipos (limitada, difusa e sine escleroderma), conforme descrito na literatura médica e nos protocolos clínicos.
A esclerose sistêmica (ES) é uma doença autoimune do tecido conjuntivo caracterizada por fibrose cutânea e visceral, vasculopatia e presença de autoanticorpos específicos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na combinação de achados cutâneos, manifestações viscerais, capilaroscopia periungueal e perfil sorológico. Não existe um teste único, e a classificação em subtipos — cutânea limitada, cutânea difusa e sine escleroderma — orienta o prognóstico e a conduta.
A distinção entre os subtipos é feita pela extensão do acometimento cutâneo, e é exatamente aí que mora o erro da afirmativa. Na forma limitada, o espessamento da pele atinge os dedos e pode se estender distalmente aos cotovelos e joelhos, mas não ultrapassa as metacarpofalângicas em direção proximal. Na forma difusa, o espessamento cutâneo estende-se proximalmente às metacarpofalângicas, podendo atingir braços, coxas e tronco — e é justamente essa extensão proximal que confere o maior peso no escore de avaliação diagnóstica, pois reflete a forma mais grave e de pior prognóstico da doença.
Para fixar: a esclerodactilia (espessamento dos dedos) é um achado comum a ambos os subtipos, mas o que diferencia e pontua mais é a extensão proximal do espessamento. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que a esclerodactilia é um critério diagnóstico pode marcar como certo, sem perceber que a afirmativa atribui o maior peso a um achado que, isoladamente, não tem esse valor — o peso máximo está na forma difusa, com comprometimento proximal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a extensão proximal (que define a forma difusa e tem maior peso) pela extensão distal (que caracteriza a forma limitada). O candidato que memoriza apenas "esclerodactilia é critério" cai na armadilha. Lembre-se: o que dá o maior peso é o espessamento que sobe além das metacarpofalângicas, não o que fica restrito aos dedos.
Esclerose sistêmica
1Subtipos
Limitada
Espessamento distal às MCF
Evolução indolente
Difusa
Espessamento proximal às MCF
Maior peso no escore
Pior prognóstico
Sine escleroderma
2Critérios diagnósticos
Espessamento cutâneo
Capilaroscopia
Autoanticorpos
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada porque descreve o espessamento cutâneo distal às metacarpofalângicas como o de maior peso no escore diagnóstico. Na prática clínica, o espessamento proximal — que caracteriza a esclerose sistêmica cutânea difusa — é o que confere maior peso, por estar associado a maior morbidade, acometimento pulmonar intersticial precoce e risco de crise renal esclerodérmica. A forma limitada, com espessamento distal, tem evolução mais indolente e menor peso no escore.