Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
ce177315
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
Em relação às doenças reumáticas, julgue o item que se segue.Nos portadores de espondilodiartrite axial (EspA), a limitação de movimentos costuma ser proporcional ao grau de anquilose óssea e à progressão da doença.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Espondiloartrite axial: limitação de movimento e anquilose

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, na espondiloartrite axial (EspA), a limitação de movimentos não é simplesmente proporcional ao grau de anquilose óssea e à progressão da doença — ela é determinada, sobretudo, pela inflamação ativa (sinovite, entesite) e pelo espasmo muscular, que podem causar restrição importante mesmo antes de qualquer fusão óssea significativa. A anquilose é uma consequência tardia, e a rigidez matinal inflamatória, aliviada pelo exercício, é o padrão típico, não a rigidez fixa da fusão óssea.

A espondiloartrite axial é um grupo de doenças inflamatórias crônicas que acometem preferencialmente o esqueleto axial — sacroilíacas e coluna vertebral —, sendo a espondilite anquilosante o protótipo. A fisiopatologia envolve inflamação na interface osso-cartilagem e na entese, com infiltrado de macrófagos e linfócitos T, e citocinas como IL-17, IL-23 e TNF-α. O processo inflamatório inicial causa dor e rigidez, mas é a atividade inflamatória que limita a mobilidade nas fases iniciais. Com o tempo, a inflamação crônica leva à formação de novo osso (sindesmófitos, hiperostose) e, eventualmente, à anquilose — fusão óssea das articulações. A limitação de movimento, portanto, tem dois componentes: um reversível (inflamação, espasmo muscular) e um irreversível (anquilose). A afirmativa erra ao atribuir a limitação apenas ao componente estrutural, ignorando o componente inflamatório, que é o principal responsável pela restrição precoce e que pode ser tratado com anti-inflamatórios e agentes biológicos.

Na prática clínica, um paciente com EspA ativa pode apresentar limitação acentuada da flexão lombar e da expansão torácica mesmo com radiografias normais ou com pouca anquilose — a inflamação e o espasmo muscular restringem o movimento. Por outro lado, um paciente com doença avançada e anquilose extensa pode ter limitação fixa, mas a progressão da limitação não é linearmente proporcional à fusão óssea, pois a atividade inflamatória flutua. O exame físico clássico revela diminuição da flexão lombar, redução da rotação da coluna e diminuição da expansão torácica — sinais que refletem tanto inflamação quanto anquilose, mas que não são diretamente proporcionais ao grau de fusão óssea.

A distinção crucial é entre rigidez inflamatória (pior pela manhã, melhora com exercício) e rigidez estrutural (fixa, decorrente da anquilose). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode associar limitação de movimento apenas à anquilose, esquecendo que a inflamação ativa é o principal determinante da restrição na maioria dos pacientes, especialmente nas fases iniciais. A afirmativa, ao dizer que a limitação "costuma ser proporcional ao grau de anquilose óssea e à progressão da doença", desconsidera o componente inflamatório reversível e a variabilidade individual da doença.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a limitação de movimento na EspA é diretamente proporcional à anquilose óssea, como se fosse uma relação mecânica simples. Na verdade, a limitação é multifatorial: a inflamação ativa (sinovite, entesite) e o espasmo muscular são os principais responsáveis pela restrição precoce, e a anquilose é uma consequência tardia. O aluno que decora apenas a progressão estrutural cai na armadilha.

1Componente reversível
Inflamação ativa (sinovite, entesite)
Espasmo muscular
Melhora com exercício
2Componente irreversível
Anquilose óssea (fase tardia)
Sindesmófitos
Rigidez fixa
3Relação com a anquilose
Não é proporcional
Flutua com atividade inflamatória
Limitação de movimento na EspA
LEVELsoulevel.com.br
Limitação de movimento na EspA: Componente reversível (Inflamação ativa (sinovite, entesite), Espasmo muscular, Melhora com exercício); Componente irreversível (Anquilose óssea (fase tardia), Sindesmófitos, Rigidez fixa); Relação com a anquilose (Não é proporcional, Flutua com atividade inflamatória)

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada porque estabelece uma relação de proporcionalidade direta entre limitação de movimento e anquilose óssea, ignorando o papel central da inflamação ativa. Na espondiloartrite axial, a limitação de movimentos é determinada principalmente pela atividade inflamatória (que causa dor, rigidez e espasmo muscular) e pode ocorrer mesmo sem anquilose significativa. A anquilose é uma fase tardia da doença, e a limitação por ela causada é fixa e irreversível, mas não é o único — nem o principal — fator de restrição na maioria dos pacientes. O texto de apoio confirma que a intensidade da artralgia, da rigidez e da limitação da flexibilidade varia largamente entre os pacientes e durante o curso da doença, e que o tratamento visa reduzir a inflamação e a dor para melhorar a função e a mobilidade — o que só faz sentido se a limitação for, em grande parte, reversível com o controle da inflamação.

Gabarito: ERRADO.

Link permanente: /questoes/ce177315