Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177319
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). O hipotireoidismo aumenta a resistência vascular periférica (RVP) por mecanismos que incluem redução da biodisponibilidade de óxido nítrico e aumento da rigidez arterial, elevando principalmente a pressão arterial diastólica. Essa relação fisiopatológica é reconhecida na prática clínica e está alinhada com o que se observa em pacientes hipotireoideos, que frequentemente apresentam hipertensão diastólica.
O hipotireoidismo é uma condição de deficiência dos hormônios tireoidianos (T3 e T4), que exercem efeitos profundos sobre o sistema cardiovascular. Entre esses efeitos, destaca-se a modulação do tônus vascular: os hormônios tireoidianos promovem vasodilatação, em parte por estimularem a produção de óxido nítrico (NO) no endotélio. Na ausência desses hormônios, ocorre o oposto: há aumento da resistência vascular periférica, que se traduz em elevação da pressão arterial, sobretudo do componente diastólico. Esse é um dos mecanismos pelos quais o hipotireoidismo se associa à hipertensão arterial sistêmica, frequentemente do tipo diastólica isolada.
Além do aumento da RVP, outros fatores contribuem para a hipertensão no hipotireoidismo: redução da frequência cardíaca, diminuição do débito cardíaco, aumento da rigidez arterial e possível retenção de sódio e água (por mecanismos renais e hormonais). O tratamento com levotiroxina costuma melhorar o perfil pressórico, reforçando a relação causal.
É importante distinguir o hipotireoidismo de outras causas endócrinas de hipertensão, como o hiperaldosteronismo primário (que cursa com hipopotassemia e alcalose metabólica) e o feocromocitoma (com crises de palpitação, sudorese e cefaleia). No hipotireoidismo, a hipertensão é geralmente diastólica, de leve a moderada intensidade, e acompanha outros sinais como bradicardia, ganho de peso e intolerância ao frio.
A banca explora a associação entre uma doença endócrina (hipotireoidismo) e uma consequência cardiovascular (hipertensão diastólica). O candidato que conhece a fisiopatologia reconhece a veracidade da afirmação. Quem não domina o tema pode achar que o hipotireoidismo, por reduzir o metabolismo, levaria a hipotensão — o que é um erro conceitual.
A afirmativa está correta. O aumento da resistência vascular periférica no hipotireoidismo é um mecanismo bem estabelecido que pode levar à hipertensão arterial sistêmica, com predomínio do componente diastólico. Isso ocorre porque a deficiência de hormônios tireoidianos reduz a vasodilatação dependente do endotélio (menos óxido nítrico) e aumenta a rigidez arterial, elevando a pós-carga e, consequentemente, a pressão diastólica.
Gabarito: letra C (CERTO).
Link permanente: /questoes/ce177319