Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177322
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A principal e mais temida toxicidade da metformina é a acidose láctica, e não a "alcalose láctica" — o item troca o tipo de distúrbio ácido-base, invertendo o termo decisivo. A acidose láctica é rara, mas grave, e está associada ao uso da metformina, especialmente em situações de contraindicação (insuficiência renal, sepse, etc.).
A metformina é uma biguanida, fármaco de primeira linha no tratamento do diabetes melito tipo 2. Seu mecanismo de ação envolve a redução da produção hepática de glicose e o aumento da sensibilidade periférica à insulina. Entre seus efeitos adversos, os mais comuns são gastrintestinais (náusea, diarreia, dor abdominal), que ocorrem em até 30% dos pacientes. A acidose láctica é um evento raro, mas potencialmente fatal, e ocorre principalmente quando há acúmulo do fármaco, como na insuficiência renal (TFG < 30 mL/min/1,73 m²) ou em quadros de hipóxia tecidual.
A confusão entre "ácido" e "alcalino" é clássica: a acidose láctica é um distúrbio em que há acúmulo de ácido lático no sangue, levando à diminuição do pH (acidemia). Não existe "alcalose láctica" — o termo é fisiologicamente impossível, pois o lactato é um ácido. A banca explora exatamente essa inversão de termo, que é uma pegadinha recorrente em questões sobre farmacologia e distúrbios ácido-base.
Na prática clínica, a metformina é considerada segura, e a incidência de acidose láctica é muito baixa (cerca de 0,03 casos por 1.000 pacientes-ano). No entanto, quando ocorre, a mortalidade é alta (30-50%). Por isso, é fundamental respeitar as contraindicações: insuficiência renal (TFG < 30), insuficiência hepática grave, alcoolismo, sepse, insuficiência cardíaca descompensada e uso de contrastes iodados em exames de imagem.
A pegadinha desta questão está na troca do termo "ácida" por "alcalina". O candidato que sabe que a metformina pode causar acidose láctica pode marcar "certo" sem perceber a inversão. Por isso, leia sempre com atenção os termos técnicos: acidose ≠ alcalose, e a metformina causa acidose, não alcalose.
O item afirma que a toxicidade mais temida da metformina é a "alcalose láctica". Isso está errado porque o distúrbio associado à metformina é a acidose láctica — o acúmulo de ácido lático no sangue, que reduz o pH. A palavra "alcalose" indica um aumento do pH (alcalemia), o que é fisiologicamente oposto ao que ocorre. A banca inverteu o termo, e o candidato que não atentar para essa troca pode marcar "certo" erroneamente.
Em questões sobre efeitos adversos de fármacos, desconfie de termos que parecem corretos, mas estão invertidos. Aqui, "alcalose láctica" é um termo inexistente — o correto é "acidose láctica". Sempre verifique se o distúrbio ácido-base nomeado é fisiologicamente plausível.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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