Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177327
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque o oxalato urinário elevado é um dos principais fatores de risco para a formação de cálculos renais de oxalato de cálcio, e não um fator de risco baixo. A hiperoxalúria aumenta a supersaturação urinária de oxalato de cálcio, promovendo diretamente a cristalização e a formação de cálculos — exatamente o oposto do que o item afirma.
A nefrolitíase é uma doença multifatorial, e a compreensão dos fatores de risco é essencial para o manejo clínico. Os cálculos de oxalato de cálcio são os mais prevalentes, correspondendo a cerca de 60% de todos os cálculos urinários. A formação desses cálculos ocorre quando a urina se torna hipersaturada em relação ao oxalato de cálcio, ou seja, quando a concentração dos íons cálcio e oxalato excede o limite de solubilidade. Nesse contexto, o oxalato urinário desempenha um papel central: como a concentração de oxalato na urina é um dos principais determinantes da supersaturação, pequenas elevações na excreção urinária de oxalato têm um impacto significativo na formação de cálculos.
A hiperoxalúria, definida como excreção urinária de oxalato superior a 45 mg/dia em mulheres e 55 mg/dia em homens, é detectada em 10 a 50% dos formadores de cálculos de cálcio. Ela pode resultar de aumento da ingestão dietética de alimentos ricos em oxalato (como espinafre, ruibarbo, beterraba, nozes, chocolate e chá), de absorção gastrintestinal aumentada (como na hiperoxalúria entérica, associada a doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca, ressecção intestinal ou cirurgia bariátrica) ou de superprodução endógena de oxalato (como nos erros inatos do metabolismo, a exemplo da hiperoxalúria primária). Em todos esses cenários, o aumento do oxalato urinário eleva a supersaturação de oxalato de cálcio e, consequentemente, o risco de litíase.
A tabela de fatores de risco para cálculos de cálcio é clara ao listar o "oxalato urinário elevado" como um dos principais fatores, ao lado de baixo volume urinário, cálcio urinário elevado e citrato urinário baixo. Além disso, a tabela de tratamento para diferentes fatores de risco mostra que, na hiperoxalúria, as medidas incluem ingestão dietética adequada de cálcio, evitar alimentos ricos em oxalato e considerar o uso de vitamina B6 (piridoxina). Isso reforça que a hiperoxalúria é um fator de risco reconhecido e tratável, e não um fator de baixa relevância.
A pegadinha da questão reside na inversão do conceito: o candidato pode ser levado a pensar que, por ser um ânion presente em menor quantidade na urina, o oxalato teria menor importância. No entanto, é justamente o oposto — o oxalato é um dos principais determinantes da supersaturação do oxalato de cálcio, e sua elevação é um fator de risco significativo e bem estabelecido. A banca explora essa confusão conceitual, trocando a relevância do oxalato por um papel secundário que não corresponde à realidade fisiopatológica.
Guarde o critério decisivo: na litíase de oxalato de cálcio, o oxalato urinário elevado é um fator de risco alto e central, não baixo. É exatamente essa inversão que o item apresenta, tornando a afirmativa incorreta.
A afirmativa está incorreta porque o oxalato urinário elevado é um fator de risco alto e bem estabelecido para a formação de cálculos renais de oxalato de cálcio. A hiperoxalúria aumenta a supersaturação urinária de oxalato de cálcio, promovendo a cristalização e a agregação de cristais, que é o mecanismo central da litogênese. O item inverte a relevância do oxalato, apresentando-o como fator de baixo risco, o que contraria a fisiopatologia e a prática clínica. A banca explora a confusão entre a quantidade relativa de oxalato na urina e sua importância fisiopatológica: embora o oxalato esteja presente em menor concentração que o cálcio, ele é um dos principais determinantes da supersaturação, e pequenas variações na sua excreção têm grande impacto na formação de cálculos.
Para questões de nefrolitíase, memorize os principais fatores de risco para cálculos de cálcio: baixo volume urinário, oxalato urinário elevado, cálcio urinário elevado e citrato urinário baixo. A banca adora inverter a relevância desses fatores — se a afirmativa diz que um deles é "baixo" ou "pouco importante", desconfie imediatamente. Na dúvida, lembre-se: todos os quatro são fatores de risco altos e centrais na litogênese.
Gabarito: ERRADO.
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