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Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNefrologia
Código
ce177328
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
A respeito de doenças renais, julgue o item a seguir.O quadro de acidose metabólica com anion gap normal, observado nos estágios iniciais da insuficiência renal crônica, pode piorar para acidose metabólica com anion gap aumentado, à medida que a doença evolui.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acidose metabólica na doença renal crônica: evolução do anion gap

Gabarito: letra C (CERTO). A afirmativa está correta: nos estágios iniciais da insuficiência renal crônica (IRC), a acidose metabólica é tipicamente hiperclorêmica, com anion gap normal; com a progressão da doença (TFG < 15 mL/min), há acúmulo de ácidos não voláteis (fosfato, sulfato, ácidos orgânicos), e a acidose passa a ser de anion gap aumentado — a chamada acidose urêmica. Essa transição é um conceito clássico de nefrologia e fisiologia renal.

A acidose metabólica é um distúrbio caracterizado pela redução do pH sanguíneo e do bicarbonato (HCO₃⁻), podendo ser classificada, pela análise do anion gap, em dois grandes grupos: com anion gap normal (hiperclorêmica) e com anion gap aumentado. O anion gap é um índice calculado que estima a concentração de ânions não mensurados no plasma, como albumina, fosfato e sulfato. Sua fórmula clássica é: AG = [Na⁺] − ([Cl⁻] + [HCO₃⁻]), com valor normal em torno de 10 ± 2 mEq/L (ou 12 ± 4 mmol/L se o K⁺ for incluído).

Na doença renal crônica, a acidose metabólica se instala precocemente, quando a taxa de filtração glomerular (TFG) cai abaixo de aproximadamente 30 mL/min. Nessa fase, o rim ainda consegue excretar ácidos, mas há uma perda desproporcional de bicarbonato e uma redução na capacidade de reabsorção, resultando em acidose hiperclorêmica com anion gap normal. À medida que a doença progride e a TFG cai abaixo de 15 mL/min, a excreção de ânions não voláteis (fosfato, sulfato e sais de sódio de ácidos orgânicos) torna-se insuficiente, e esses ânions se acumulam no plasma, elevando o anion gap. Essa fase é denominada acidose urêmica.

A distinção entre os dois tipos de acidose metabólica é fundamental para o raciocínio clínico. Na acidose com anion gap normal, a queda do bicarbonato é acompanhada por um aumento compensatório do cloro (hipercloremia), mantendo a eletroneutralidade. Já na acidose com anion gap aumentado, o cloro permanece normal, e o gap é preenchido por ânions não mensurados, como lactato, cetoácidos ou, no caso da IRC avançada, fosfato e sulfato. A tabela abaixo resume as principais causas de cada tipo:

Tipo de acidose

Mecanismo

Exemplos

Anion gap normal (hiperclorêmica)

Perda de HCO₃⁻ ou redução da excreção de H⁺

Diarreia, acidose tubular renal, IRC inicial

Anion gap aumentado

Acúmulo de ácidos endógenos ou exógenos

Acidose láctica, cetoacidose, intoxicações, IRC avançada

A pegadinha da banca, aqui, é justamente a evolução temporal: muitos candidatos associam a IRC apenas à acidose de anion gap aumentado, esquecendo que, nas fases iniciais, o padrão é hiperclorêmico. A questão inverte essa lógica ao afirmar que a acidose inicial é de anion gap normal e que pode piorar para anion gap aumentado — exatamente o que ocorre na prática clínica.

Guarde o critério decisivo: a transição do anion gap normal para o aumentado na IRC ocorre quando a TFG cai abaixo de 15 mL/min, refletindo a incapacidade progressiva de excretar ânions não voláteis. É esse limiar que separa as duas fases e que a banca explora na afirmativa.

  1. 1TFG 30–15: hiperclorêmicaanion gap normal
  2. 2TFG < 15: acidose urêmicaanion gap aumentado
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Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa está correta. Nos estágios iniciais da IRC (TFG entre 30 e 15 mL/min), a acidose metabólica é hiperclorêmica, com anion gap normal, devido à perda de bicarbonato e à redução da excreção de ácidos. Com a progressão da doença (TFG < 15 mL/min), há acúmulo de fosfato, sulfato e ácidos orgânicos, elevando o anion gap e caracterizando a acidose urêmica. Essa evolução é um conceito bem estabelecido em nefrologia, e a afirmativa descreve precisamente essa transição.

Alternativa E — ❌ Errada

A alternativa E afirma que o item é errado, mas isso contraria o conhecimento fisiopatológico. A acidose metabólica na IRC não permanece com anion gap normal em todas as fases; ela evolui para anion gap aumentado na doença avançada. Portanto, a afirmativa do enunciado é verdadeira, e a alternativa E está incorreta.

Gabarito: letra C (CERTO).

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