Questão de Medicina — Gastroenterologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177331
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A linfangiectasia intestinal é uma condição que pode ser secundária à radioterapia e, de fato, causa ascite, diarreia e má absorção de quilomícrons e vitaminas lipossolúveis. A radioterapia pode lesar os vasos linfáticos intestinais, levando à perda de linfa rica em proteínas e lipídios para a luz intestinal e para a cavidade peritoneal, o que explica o quadro descrito.
A linfangiectasia intestinal é uma doença caracterizada pela dilatação e disfunção dos vasos linfáticos da parede intestinal. Essa disfunção impede a adequada absorção de lipídios e o transporte de quilomícrons, que são partículas formadas pela associação de triglicerídeos, colesterol e proteínas. Como os quilomícrons são essenciais para o transporte de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), sua má absorção leva a deficiências dessas vitaminas. A perda de linfa para o lúmen intestinal causa diarreia e esteatorreia, enquanto a perda para a cavidade peritoneal pode resultar em ascite quilosa, um tipo de ascite com alta concentração de triglicerídeos.
A radioterapia, especialmente quando dirigida ao abdome ou à pelve, pode causar dano aos vasos linfáticos intestinais, levando à linfangiectasia secundária. Esse é um mecanismo bem estabelecido na literatura médica. A ascite resultante é tipicamente um transudato ou exsudato com características específicas, como alta concentração de triglicerídeos, e o diagnóstico pode ser confirmado por linfocintilografia ou biópsia intestinal.
É importante distinguir a linfangiectasia intestinal de outras causas de ascite, como a cirrose hepática e a insuficiência cardíaca, que cursam com gradiente de albumina soro-ascite (GASA) elevado (≥ 1,1 g/dL). Na linfangiectasia, a ascite é geralmente quilosa, com GASA baixo (< 1,1 g/dL), pois não está associada à hipertensão portal. Essa distinção é crucial para o diagnóstico etiológico e para o manejo adequado.
A banca explora a associação entre radioterapia, linfangiectasia e ascite, que é um conhecimento específico de gastroenterologia. O candidato que não conhece essa relação pode marcar a alternativa como errada, mas a afirmação está correta. A radioterapia é uma causa reconhecida de linfangiectasia intestinal secundária, e o quadro clínico descrito (ascite, diarreia e má absorção) é compatível com essa condição.
A afirmação está correta. A linfangiectasia intestinal pode ser secundária à radioterapia, e essa condição pode causar ascite, diarreia e má absorção de quilomícrons e vitaminas lipossolúveis. A radioterapia pode danificar os vasos linfáticos intestinais, levando à perda de linfa rica em lipídios e proteínas, o que resulta em ascite quilosa e má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis. Esse é um mecanismo fisiopatológico bem estabelecido, e a afirmação está de acordo com o conhecimento médico atual.
Gabarito: letra C (CERTO).
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