Questão de Medicina — Gastroenterologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177332
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa inverte a relação: o gradiente de albumina soro-ascite (GASA) maior que 1,1 g/dL (e não menor) é que favorece o diagnóstico de ascite por hipertensão portal. O GASA baixo (< 1,1 g/dL) indica, ao contrário, causas não relacionadas à hipertensão portal, como carcinomatose peritoneal e tuberculose peritoneal. Essa é a regra clássica da semiologia da ascite, amplamente descrita na literatura médica.
O GASA é calculado pela diferença entre a concentração de albumina sérica e a concentração de albumina no líquido ascítico: GASA = albumina sérica − albumina do líquido ascítico. Ele é proporcional à pressão portal sinusoidal e, por isso, funciona como um marcador indireto da hipertensão portal. Quando o GASA é elevado (> 1,1 g/dL), há forte correlação com hipertensão portal como causa da ascite; quando é baixo (< 1,1 g/dL), a hipertensão portal é improvável e outras etiologias devem ser investigadas.
A lógica fisiológica é a seguinte: na hipertensão portal, o aumento da pressão hidrostática nos sinusoides hepáticos faz com que o líquido rico em albumina "escape" para a cavidade peritoneal, mas a albumina sérica permanece relativamente alta, gerando um gradiente elevado. Já nas ascites de origem não portal (como carcinomatose, tuberculose peritoneal, síndrome nefrótica), o gradiente é baixo porque a albumina sérica e a do líquido ascítico tendem a ser mais próximas.
Na prática clínica, o GASA é o teste de escolha para diferenciar ascites associadas à hipertensão portal daquelas não associadas, com acurácia de cerca de 97%. As principais causas de ascite com GASA elevado (> 1,1 g/dL) incluem cirrose, hepatite alcoólica, insuficiência cardíaca direita, síndrome de Budd-Chiari, pericardite constritiva e metástases hepáticas maciças. Já as causas de ascite com GASA baixo (< 1,1 g/dL) incluem carcinomatose peritoneal, tuberculose peritoneal, doença pancreática e biliar, e síndrome nefrótica.
A pegadinha desta questão é exatamente a inversão do sinal da desigualdade. O candidato que memorizou o conceito de forma superficial pode confundir "maior que 1,1" com "menor que 1,1". A banca explora essa troca sutil de termo, que é uma armadilha clássica em questões de semiologia. Guarde a regra de ouro: GASA > 1,1 g/dL = hipertensão portal; GASA < 1,1 g/dL = ausência de hipertensão portal.
A afirmativa está incorreta porque inverte o limiar diagnóstico. O GASA menor que 1,1 g/dL não favorece o diagnóstico de ascite por hipertensão portal; pelo contrário, ele indica que a hipertensão portal é improvável e que outras causas devem ser investigadas. O valor que favorece a hipertensão portal é o GASA maior que 1,1 g/dL.
O GASA é um conceito da prática clínica, não um dispositivo legal. A regra é amplamente descrita na literatura médica (Runyon et al., 1991) e em diretrizes de hepatologia.
Gabarito: ERRADO — a afirmativa está incorreta, pois o GASA elevado (> 1,1 g/dL), e não o baixo, é que sugere hipertensão portal.
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