Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177334
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). Apesar da gravidade do quadro, a terapia com corticosteroide sistêmico, broncodilatadores inalatórios e metilxantina não deve ser iniciada de imediato como tratamento único, pois o paciente apresenta critérios de pneumonia adquirida na comunidade (PAC) com sinais de gravidade, exigindo antibioticoterapia como pilar central do tratamento, além de suporte ventilatório e oxigenoterapia. A conduta correta envolve avaliar a necessidade de internação (escore PSI/CURB-65), iniciar antibiótico empírico e, se houver broncoespasmo associado (sibilância), broncodilatadores inalatórios de curta ação — mas a metilxantina não é recomendada como primeira linha e o corticoide sistêmico é indicado apenas em situações específicas, como exacerbação de DPOC ou asma, não como tratamento isolado da PAC.
O caso clínico descreve um paciente tabagista de longa data (2 maços/dia por 34 anos = 68 maços-ano), com tosse crônica produtiva (provável DPOC de base), que evoluiu com quadro agudo de febre, dor torácica ventilatório-dependente, expectoração purulenta e dispneia aos pequenos esforços — configurando uma exacerbação infecciosa sobre doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com alta suspeita de pneumonia adquirida na comunidade (PAC). Os sinais de gravidade presentes (FR = 28 irpm, FC = 110 bpm, SpO₂ = 90%, febre persistente) indicam necessidade de internação e tratamento antibiótico imediato.
A pneumonia adquirida na comunidade é uma infecção aguda do parênquima pulmonar, diagnosticada por quadro clínico compatível (febre, tosse, expectoração, dor pleurítica) associado a infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax. O tratamento de escolha para pacientes com comorbidades (como DPOC) e sinais de gravidade é a antibioticoterapia empírica — fluoroquinolona respiratória isolada ou betalactâmico associado a macrolídeo — conforme as diretrizes da ATS/IDSA e da SBPT. O uso de corticoide sistêmico na PAC não é rotina e só é considerado em casos de choque séptico refratário ou em exacerbação de DPOC com resposta broncodilatadora insuficiente.
A metilxantina (teofilina/aminofilina) é um broncodilatador de terceira linha, com estreita janela terapêutica e muitos efeitos adversos (arritmias, tremores, náuseas), sendo desencorajada nas diretrizes atuais de manejo da DPOC e da asma, especialmente na fase aguda. Os broncodilatadores inalatórios de curta ação (salbutamol, ipratrópio) são indicados para alívio sintomático do broncoespasmo, mas não tratam a infecção bacteriana subjacente. O corticoide sistêmico (prednisona 40 mg/dia por 5-7 dias) é recomendado na exacerbação aguda da DPOC, mas não substitui o antibiótico quando há suspeita de pneumonia — e a associação com metilxantina não é padronizada.
A pegadinha desta questão está em confundir o tratamento da exacerbação de DPOC (que inclui corticoide sistêmico e broncodilatadores) com o tratamento da PAC (que exige antibiótico). O paciente tem ambos os quadros, mas a prioridade é tratar a infecção. A banca tenta induzir o candidato a focar apenas nos sintomas obstrutivos (sibilos, dispneia) e esquecer o quadro infeccioso agudo (febre, expectoração purulenta, dor pleurítica) que domina a apresentação clínica.
A banca explora a confusão entre o tratamento da exacerbação de DPOC e o da pneumonia. O candidato que foca apenas nos sibilos e na dispneia escolhe a terapia broncodilatadora + corticoide, esquecendo que a febre, a expectoração purulenta e a dor pleurítica indicam infecção bacteriana — que exige antibiótico como prioridade. O erro está em tratar o broncoespasmo sem tratar a causa infecciosa.
A afirmativa está errada porque propõe um tratamento incompleto e inadequado para o quadro. O paciente apresenta critérios clínicos de pneumonia adquirida na comunidade (febre, tosse produtiva purulenta, dor torácica pleurítica, taquipneia, taquicardia, hipoxemia) sobreposta a provável DPOC. O tratamento correto envolve:
Antibioticoterapia empírica — fluoroquinolona respiratória (levofloxacino/moxifloxacino) ou betalactâmico + macrolídeo, conforme diretrizes ATS/IDSA e SBPT.
Oxigenoterapia para manter SpO₂ ≥ 90%.
Broncodilatadores inalatórios de curta ação (salbutamol + ipratrópio) para alívio do broncoespasmo.
Corticoide sistêmico — indicado na exacerbação de DPOC, mas não como tratamento isolado da PAC; na pneumonia, só é considerado em choque séptico refratário.
Metilxantina — não é recomendada como primeira linha; tem estreita janela terapêutica e risco de toxicidade.
A associação proposta (corticoide + broncodilatador + metilxantina) não inclui antibiótico, que é o pilar do tratamento da PAC. Além disso, a metilxantina não faz parte do manejo agudo padrão. Portanto, a conduta descrita é insuficiente e potencialmente inadequada.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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