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Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaPneumologia
Código
ce177335
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-TO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
Um paciente de 54 anos de idade, do sexo masculino, procurou o pronto-socorro com queixa de tosse com expectoração amarelada, dor torácica ventilatório dependente em hemitórax direito e febre (38,5 °C) iniciadas 1 semana antes. Havia 2 dias vinha apresentado chiado no peito constante associado a dispneia aos pequenos esforços, como, por exemplo, tomar banho. Além desse quadro, esse paciente disse que já vinha apresentando tosse com expectoração clara constante no último ano.Referiu tabagismo (2 maços de cigarros por dia nos últimos 34 anos), apresentou diagnóstico prévio apenas de hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana 50 mg, 2 vezes ao dia, negou pneumonia, asma brônquica ou outras doenças pulmonares prévias. Relatou ter realizado vacinação para influenza e covid-19 (vacina bivalente havia 2 meses).Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral, normocorado, hidratado e afebril. Possuía pressão arterial igual a 110 mmHg × 70 mmHg, frequência cardíaca igual a 110 bpm, frequência respiratória igual a 28 irpm, temperatura axilar igual a 38,8 °C. Ao exame físico do aparelho cardiovascular, não havia sem alterações, a ausculta pulmonar revelou murmúrio vesicular reduzido globalmente com sibilos difusos, a saturação periférica de oxigênio foi igual a 90% (em repouso e ar ambiente) e as extremidades estavam sem edema ou outras alterações.Considerando o caso clínico precedente, julgue o próximo item.Para se confirmar o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que deve ser considerado nesse caso, é obrigatório que se faça uma espirometria e que o resultado mostre redução da relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo e a capacidade vital forçada (VEF1/CVF), com valor abaixo 0,70 após o uso do broncodilatador.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico de DPOC: espirometria e critério VEF1/CVF

Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: para confirmar o diagnóstico de DPOC, é obrigatória a realização de espirometria, e o resultado deve demonstrar obstrução ao fluxo aéreo não completamente reversível, caracterizada pela relação VEF1/CVF < 0,70 após o uso de broncodilatador. Esse é o critério funcional estabelecido pela Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) e adotado pelas diretrizes brasileiras de pneumologia.

A DPOC é uma doença respiratória crônica, prevenível e tratável, caracterizada por limitação persistente ao fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas e dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. No caso clínico apresentado, o paciente tem 54 anos, tabagista pesado (2 maços/dia por 34 anos — carga tabágica de 68 maços-ano), com tosse crônica produtiva há um ano e, mais recentemente, dispneia aos pequenos esforços e sibilos difusos — um quadro altamente sugestivo de DPOC. No entanto, o diagnóstico definitivo não se baseia apenas na clínica; ele exige a comprovação funcional da obstrução ao fluxo aéreo.

A espirometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de DPOC. O parâmetro fundamental é a relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF). A presença de obstrução ao fluxo aéreo é definida pela relação VEF1/CVF < 0,70 após a administração de broncodilatador. Esse valor é fixo e independente de valores de referência, o que facilita sua aplicação na prática clínica. A espirometria deve ser realizada após o uso de broncodilatador para avaliar a reversibilidade da obstrução — na DPOC, a obstrução é tipicamente não completamente reversível, ao contrário da asma, onde há reversibilidade significativa.

É importante destacar que a espirometria não apenas confirma o diagnóstico, mas também classifica a gravidade da obstrução com base no VEF1 pós-broncodilatador (GOLD 1 a 4), orienta o tratamento e auxilia no prognóstico. No caso em questão, o paciente apresenta um quadro agudo sobreposto (provável pneumonia, dada a febre, expectoração amarelada e dor torácica ventilatório-dependente), mas a suspeita de DPOC subjacente é forte, e a espirometria deve ser realizada após a resolução do quadro agudo para confirmar o diagnóstico.

A pegadinha desta questão está em possíveis confusões com outros critérios diagnósticos ou com a interpretação do valor de corte. Alguns candidatos podem lembrar que a relação VEF1/CVF < 0,70 é o critério, mas podem esquecer que ela deve ser medida após o uso de broncodilatador. Outros podem confundir com o critério de reversibilidade da asma (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador). A banca explora exatamente a necessidade de a espirometria ser feita com broncodilatador e o valor de corte fixo de 0,70.

Guarde o critério diagnóstico funcional da DPOC: espirometria obrigatória + relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. É exatamente esse binômio que a afirmativa descreve, e é nele que a questão se resolve.

  1. 1Espirometria obrigatória
  2. 2VEF1/CVF < 0,70
  3. 3Pós-broncodilatador
LEVEL · soulevel.com.br

Item — ✅ CERTO

A afirmativa está correta porque descreve com precisão o critério diagnóstico funcional da DPOC. A espirometria é obrigatória para confirmar o diagnóstico, e o resultado deve mostrar obstrução ao fluxo aéreo, definida pela relação VEF1/CVF < 0,70 após o uso de broncodilatador. Esse é o padrão estabelecido pela GOLD e pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). O caso clínico é altamente sugestivo de DPOC (tabagista pesado, tosse crônica, dispneia progressiva), mas a confirmação exige a prova funcional.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a questão falar em diagnóstico de DPOC, lembre-se do tripé: espirometria obrigatória + VEF1/CVF < 0,70 + pós-broncodilatador. Se qualquer um desses elementos estiver ausente ou trocado, a alternativa está errada. Compare com a asma, onde o diagnóstico também usa espirometria, mas o foco está na reversibilidade (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador).

Gabarito: CERTO

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