Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177335
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: para confirmar o diagnóstico de DPOC, é obrigatória a realização de espirometria, e o resultado deve demonstrar obstrução ao fluxo aéreo não completamente reversível, caracterizada pela relação VEF1/CVF < 0,70 após o uso de broncodilatador. Esse é o critério funcional estabelecido pela Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) e adotado pelas diretrizes brasileiras de pneumologia.
A DPOC é uma doença respiratória crônica, prevenível e tratável, caracterizada por limitação persistente ao fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória anormal das vias aéreas e dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo o principal fator de risco. No caso clínico apresentado, o paciente tem 54 anos, tabagista pesado (2 maços/dia por 34 anos — carga tabágica de 68 maços-ano), com tosse crônica produtiva há um ano e, mais recentemente, dispneia aos pequenos esforços e sibilos difusos — um quadro altamente sugestivo de DPOC. No entanto, o diagnóstico definitivo não se baseia apenas na clínica; ele exige a comprovação funcional da obstrução ao fluxo aéreo.
A espirometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de DPOC. O parâmetro fundamental é a relação entre o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e a capacidade vital forçada (CVF). A presença de obstrução ao fluxo aéreo é definida pela relação VEF1/CVF < 0,70 após a administração de broncodilatador. Esse valor é fixo e independente de valores de referência, o que facilita sua aplicação na prática clínica. A espirometria deve ser realizada após o uso de broncodilatador para avaliar a reversibilidade da obstrução — na DPOC, a obstrução é tipicamente não completamente reversível, ao contrário da asma, onde há reversibilidade significativa.
É importante destacar que a espirometria não apenas confirma o diagnóstico, mas também classifica a gravidade da obstrução com base no VEF1 pós-broncodilatador (GOLD 1 a 4), orienta o tratamento e auxilia no prognóstico. No caso em questão, o paciente apresenta um quadro agudo sobreposto (provável pneumonia, dada a febre, expectoração amarelada e dor torácica ventilatório-dependente), mas a suspeita de DPOC subjacente é forte, e a espirometria deve ser realizada após a resolução do quadro agudo para confirmar o diagnóstico.
A pegadinha desta questão está em possíveis confusões com outros critérios diagnósticos ou com a interpretação do valor de corte. Alguns candidatos podem lembrar que a relação VEF1/CVF < 0,70 é o critério, mas podem esquecer que ela deve ser medida após o uso de broncodilatador. Outros podem confundir com o critério de reversibilidade da asma (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador). A banca explora exatamente a necessidade de a espirometria ser feita com broncodilatador e o valor de corte fixo de 0,70.
Guarde o critério diagnóstico funcional da DPOC: espirometria obrigatória + relação VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador. É exatamente esse binômio que a afirmativa descreve, e é nele que a questão se resolve.
A afirmativa está correta porque descreve com precisão o critério diagnóstico funcional da DPOC. A espirometria é obrigatória para confirmar o diagnóstico, e o resultado deve mostrar obstrução ao fluxo aéreo, definida pela relação VEF1/CVF < 0,70 após o uso de broncodilatador. Esse é o padrão estabelecido pela GOLD e pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). O caso clínico é altamente sugestivo de DPOC (tabagista pesado, tosse crônica, dispneia progressiva), mas a confirmação exige a prova funcional.
Na prova, quando a questão falar em diagnóstico de DPOC, lembre-se do tripé: espirometria obrigatória + VEF1/CVF < 0,70 + pós-broncodilatador. Se qualquer um desses elementos estiver ausente ou trocado, a alternativa está errada. Compare com a asma, onde o diagnóstico também usa espirometria, mas o foco está na reversibilidade (aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador).
Gabarito: CERTO
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