Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce177338
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-TO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Ministerial Especializado - Área de Atuação: Medicina
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. Em pacientes com alta probabilidade clínica de embolia pulmonar aguda, as diretrizes atuais recomendam iniciar a anticoagulação imediatamente, mesmo antes da confirmação por exame de imagem, desde que não haja contraindicação — é exatamente o que a afirmativa descreve. Essa conduta visa reduzir a morbimortalidade associada ao tromboembolismo pulmonar, que pode ser fatal se o tratamento for adiado até a confirmação radiológica.
A embolia pulmonar (EP) é uma obstrução aguda da circulação arterial pulmonar, na maioria das vezes causada por trombos originados nas veias profundas dos membros inferiores — o chamado tromboembolismo venoso (TEV). O quadro clínico é inespecífico: dispneia súbita, dor torácica pleurítica, hemoptise, taquicardia e hipoxemia são manifestações clássicas, mas nenhuma delas é patognomônica. No caso apresentado, o paciente tem 76 anos, tabagista, com dispneia, dor torácica, hemoptise, taquicardia (FC 110 bpm) e edema isolado em membro inferior direito, além de cirurgia abdominal recente (colecistectomia videolaparoscópica há uma semana) — um cenário que confere alta probabilidade clínica de EP, pois reúne fatores de risco (idade, tabagismo, cirurgia recente, imobilização) e sintomas típicos.
A abordagem diagnóstica da EP segue uma lógica de probabilidade pré-teste, geralmente estimada por escores como o Wells ou o Geneva. Quando a probabilidade clínica é alta, o risco de o paciente ter EP é tão elevado que o benefício de iniciar a anticoagulação imediatamente supera o risco de sangramento — por isso, as diretrizes recomendam não aguardar a confirmação por imagem (angiotomografia computadorizada, cintilografia pulmonar ou ecocardiograma) para iniciar o tratamento. Essa recomendação é particularmente importante em pacientes hemodinamicamente instáveis ou com alto risco de morte, mas também se aplica a pacientes estáveis com alta probabilidade clínica, como o do caso.
A lógica por trás dessa conduta é simples: a EP é uma doença potencialmente fatal, e o atraso no tratamento aumenta significativamente a mortalidade. A anticoagulação age impedindo a progressão do trombo e a formação de novos trombos, enquanto o exame de imagem é realizado para confirmar o diagnóstico e guiar a conduta subsequente. Se o paciente tiver contraindicação à anticoagulação (como sangramento ativo, cirurgia recente de alto risco ou plaquetopenia grave), o tratamento deve ser adiado ou modificado — mas, no caso descrito, não há contraindicação aparente, e a cirurgia foi há uma semana, com alta hospitalar no dia seguinte, sugerindo baixo risco de sangramento.
A distinção que importa aqui é entre probabilidade clínica alta e baixa. Na probabilidade baixa ou intermediária, o médico pode optar por realizar exames diagnósticos antes de iniciar a anticoagulação, pois o risco de EP é menor e o risco de sangramento pode superar o benefício. Já na probabilidade alta, a anticoagulação deve ser iniciada imediatamente, mesmo antes da confirmação — é exatamente essa fronteira que a afirmativa explora, e é nela que o candidato costuma errar ao achar que é necessário aguardar o exame radiológico.
A banca testa se o candidato sabe que, em alta probabilidade clínica de EP, a anticoagulação pode ser iniciada antes da confirmação diagnóstica. Muitos candidatos erram ao achar que é obrigatório aguardar o exame de imagem, mas as diretrizes recomendam o contrário: iniciar o tratamento imediatamente para reduzir a mortalidade. Fique atento: a regra vale para alta probabilidade clínica, não para qualquer suspeita.
A afirmativa está correta. Em pacientes com alta probabilidade clínica de embolia pulmonar aguda, as diretrizes atuais (como as da Sociedade Europeia de Cardiologia e do American College of Chest Physicians) recomendam iniciar a anticoagulação imediatamente, mesmo antes da confirmação por exame de imagem, desde que não haja contraindicação. O caso descrito — paciente idoso, tabagista, com cirurgia recente, dispneia súbita, dor torácica, hemoptise, taquicardia e edema unilateral de membro inferior — configura alta probabilidade clínica de EP, e não há contraindicação aparente à anticoagulação. Portanto, a conduta descrita é adequada e recomendada.
Gabarito: CERTO
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