Questão de Estatística — Inferência estatística — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce178089
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Planejamento e Orçamento - Especialidade: Geral
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. O contrafactual não pode ser diretamente observado — ele é, por definição, o resultado que teria ocorrido na ausência do programa, algo que nunca acontece simultaneamente com o resultado observado. A comparação entre grupo de tratamento e grupo de controle fornece uma estimativa do efeito causal, não a observação direta do contrafactual.
O conceito central aqui é o problema fundamental da inferência causal: para cada indivíduo, só observamos um dos dois resultados potenciais — o que ocorre com o programa (Y₁) ou o que ocorreria sem ele (Y₀). O contrafactual é justamente o resultado não observado. Em um experimento, a aleatorização garante que o grupo de controle seja estatisticamente equivalente ao grupo de tratamento, de modo que a diferença entre as médias dos dois grupos estima o efeito médio do tratamento (ATE). Mas isso é uma estimativa baseada em comparação de grupos, não a observação direta do que teria acontecido com os tratados se não tivessem recebido o programa.
A pegadinha da banca está em confundir estimação do contrafactual com observação direta do contrafactual. O grupo de controle serve como proxy (aproximação) do contrafactual, permitindo estimá-lo, mas o contrafactual em si permanece inobservável para os indivíduos tratados. Mesmo em um experimento perfeito, não se observa diretamente o que teria acontecido com os tratados sem o programa — apenas se estima esse resultado usando o grupo de controle.
A banca explora a confusão entre "estimar" e "observar diretamente". O grupo de controle estima o contrafactual, mas não o observa — o contrafactual é, por definição, um resultado potencial não realizado. O candidato que confunde esses conceitos marca "Certo", caindo na armadilha.
Conceito | Definição | Observação Direta? | Papel na Inferência |
|---|---|---|---|
Resultado observado (Y₁) | O que ocorre com o programa | Sim | Dado empírico do grupo de tratamento |
Contrafactual (Y₀) | O que teria ocorrido sem o programa | Não — inobservável por definição | Resultado potencial não realizado |
Grupo de controle | Proxy/estimação do contrafactual | Não (observa-se apenas sua taxa real) | Fornece estimativa do efeito causal (ATE) |
Comparação entre grupos | Diferença de médias (tratamento − controle) | Não | Estima o efeito médio do tratamento, não observa o contrafactual |
O item afirma que "o contrafactual pode ser diretamente observado por meio da comparação entre a taxa de desemprego observada entre os indivíduos que se inscreveram nos cursos (grupo de tratamento) e aqueles que, mesmo sendo elegíveis, deixaram de se inscrever (grupo de controle)".
O erro está na expressão "diretamente observado". O que se observa diretamente são as taxas de desemprego dos dois grupos. O contrafactual — o que teria acontecido com os tratados se não tivessem participado — não é observado; ele é estimado pela comparação entre os grupos. Em um experimento com aleatorização, essa comparação produz uma estimativa não viesada do efeito causal, mas o contrafactual permanece um conceito contrafactual (não observável).
Além disso, há um problema adicional no item: o grupo de controle descrito ("mesmo sendo elegíveis, deixaram de se inscrever") não é um grupo de controle experimental propriamente dito, pois a alocação não foi aleatória — os indivíduos se autosselecionaram para o tratamento. Isso introduz viés de seleção, tornando a comparação ainda menos adequada para observar diretamente o contrafactual. Em um experimento verdadeiro, a aleatorização é essencial para que o grupo de controle seja comparável ao de tratamento.
Gabarito: letra E — o item está ERRADO.
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