Questão de Estatística — Inferência estatística — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce178091
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPO
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista de Planejamento e Orçamento - Especialidade: Geral
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A técnica diferença-em-diferenças (DiD) não isola impactos a partir de "diferenças de pareamento" entre grupos igualmente expostos à intervenção; ela compara a mudança temporal (antes × depois) da variável de interesse entre um grupo tratado e um grupo controle (não exposto), eliminando tendências comuns. O pareamento é característica de outra técnica (matching), e a DiD exige que o grupo de controle não seja exposto à intervenção.
A inferência causal busca estimar o efeito de uma intervenção (tratamento) sobre um desfecho, controlando fatores de confusão. A DiD é um método quasi-experimental que usa dados longitudinais (dois períodos) e dois grupos: um que recebe a intervenção (tratado) e outro que não recebe (controle). A ideia central é calcular a diferença média do desfecho entre os períodos para cada grupo e, em seguida, subtrair essas diferenças — daí o nome "diferença-em-diferenças". Isso remove o efeito de tendências temporais comuns que afetariam ambos os grupos igualmente, desde que a suposição de tendências paralelas seja válida.
O enunciado contém dois erros conceituais graves:
"diferenças de pareamento": pareamento (matching) é outra técnica de inferência causal, que busca criar grupos comparáveis emparelhando unidades com características semelhantes. A DiD não se baseia em pareamento, mas na comparação de variações temporais.
"igualmente expostos a ela": a DiD exige que o grupo de controle não seja exposto à intervenção. Se ambos fossem igualmente expostos, não haveria como isolar o efeito da intervenção — seria impossível distinguir o efeito do tratamento de outros fatores.
Portanto, a afirmação está incorreta.
A alternativa afirma que a DiD isola impactos "a partir das diferenças de pareamento entre dois grupos comparáveis igualmente expostos a ela". Isso é duplamente errado:
Pareamento: a DiD não usa pareamento; usa a comparação de diferenças temporais entre grupos. O pareamento é característica de técnicas como propensity score matching.
Igualmente expostos: a DiD exige que o grupo de controle não receba a intervenção. Se ambos fossem expostos, não haveria contrafactual válido para estimar o efeito causal.
A definição correta: a DiD compara a variação média do desfecho entre um grupo tratado e um grupo controle (não tratado), ao longo do tempo, para eliminar tendências comuns e estimar o efeito da intervenção.
A banca mistura conceitos de duas técnicas de inferência causal: a DiD (que compara mudanças temporais entre grupos tratado e controle) e o pareamento/matching (que emparelha unidades comparáveis). Além disso, inverte a condição essencial da DiD: o grupo de controle deve não ser exposto à intervenção. Candidatos que confundem esses métodos caem na armadilha. 💪
Para diferenciar: DiD = compara "antes × depois" entre tratado e controle (exige dados longitudinais e tendências paralelas); Matching = emparelha unidades com características semelhantes para criar grupos comparáveis (exige dados de corte transversal). Na prova, identifique se a questão fala em "diferenças de pareamento" (matching) ou "diferenças de mudanças ao longo do tempo" (DiD).
Gabarito: letra E (ERRADO).
Link permanente: /questoes/ce178091