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Questão de Estatística — Inferência estatística — CESPE / CEBRASPE 2024

EstatísticaInferência estatística
Código
ce178096
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPO
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista de Planejamento e Orçamento - Especialidade: Geral
Considerando os conceitos básicos e as técnicas de inferência causal, julgue o item a seguir.Na construção dos grupos de controle e de tratamento, a randomização é utilizada em avaliações de impacto experimentais com vistas a assegurar a validade interna dos resultados obtidos, mas não se relaciona ao quesito de validade externa da avaliação, que deriva do emprego de métodos econométricos de pareamento.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência causal: validade interna e externa

ERRADO. A afirmação está incorreta porque a randomização, embora seja o instrumento central para assegurar a validade interna em experimentos, também se relaciona com a validade externa, na medida em que a seleção aleatória da amostra a partir da população-alvo é o que permite generalizar os resultados. Além disso, a validade externa não deriva de métodos econométricos de pareamento — o pareamento é uma técnica para controle de confundimento em estudos observacionais, não uma fonte de validade externa.

A inferência causal busca estabelecer relações de causa e efeito entre uma intervenção (tratamento) e um desfecho. Para isso, distinguem-se dois tipos de validade:

  • Validade interna: refere-se à confiança de que a diferença observada entre os grupos de tratamento e controle é realmente devida ao tratamento, e não a outros fatores. A randomização é o principal mecanismo para garantir essa validade, pois distribui aleatoriamente as características (observáveis e não observáveis) entre os grupos, tornando-os comparáveis em média.

  • Validade externa: refere-se à capacidade de generalizar os resultados para outras populações, contextos e épocas. Depende fundamentalmente de como a amostra foi selecionada — idealmente, por amostragem aleatória da população-alvo — e não de métodos de pareamento.

O pareamento (matching) é uma técnica utilizada em estudos observacionais (não experimentais) para construir grupos de comparação semelhantes em características observáveis, com o objetivo de reduzir o viés de seleção e aproximar a validade interna de um experimento. Ele não confere validade externa; pelo contrário, pode até reduzi-la se a amostra pareada não for representativa da população.

A pegadinha da banca está em atribuir ao pareamento um papel que ele não tem (garantir validade externa) e em negar que a randomização tenha qualquer relação com a validade externa. Na verdade, a randomização contribui para a validade externa quando a amostra é selecionada aleatoriamente da população, pois isso permite que os resultados sejam generalizáveis.

Caso

Afirmação sobre randomização

Afirmação sobre validade externa

Resultado

1

Randomização assegura validade interna

Não se relaciona à validade externa

Falso

2

Randomização também contribui para validade externa (amostra aleatória)

Validade externa deriva de amostragem representativa, não de pareamento

Verdadeiro

Validade em inferência causal
  • 1Validade interna
    • O efeito é real?
    • Randomização
    • Pareamento (observacional)
  • 2Validade externa
    • Posso generalizar?
    • Amostragem aleatória da população
    • Não deriva do pareamento
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Alternativa E — ❌ Incorreta (gabarito)

A afirmativa está errada por dois motivos:

  1. Randomização e validade externa: a randomização não se limita à validade interna. Quando a amostra é sorteada da população-alvo, a randomização também favorece a representatividade e, portanto, a validade externa. A afirmação de que "não se relaciona ao quesito de validade externa" é falsa.

  1. Validade externa e pareamento: a validade externa não deriva de métodos econométricos de pareamento. O pareamento é uma técnica de controle de confundimento em estudos observacionais, voltada para a validade interna. A generalização dos resultados depende da representatividade da amostra, não do pareamento.

Portanto, a alternativa E é a correta, pois a afirmação é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os papéis: coloca a randomização apenas como garantia de validade interna e o pareamento como fonte de validade externa. Na verdade, a randomização também contribui para a validade externa (quando a amostra é aleatória), e o pareamento é uma técnica de validade interna para estudos observacionais. Fique atento a essa troca clássica!

PEGA ESSA DICA!

Para não errar, lembre-se: validade interna = o efeito é real? (randomização, controle de confundimento); validade externa = posso generalizar? (amostragem representativa). O pareamento é uma ferramenta de validade interna, não externa.

Gabarito: letra E — a afirmação é ERRADA.

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